Resenha - Confess


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Livro: Confesse 

Autora: Colleen Hoover

Editora: Galera Record

Páginas: 235

Gênero: Romance

Sinopse: Auburn Reed perdeu tudo que era importante para ela. Na luta para reconstruir a vida destruída, ela se mantém focada em seus objetivos e não pode cometer nenhum erro. Mas ao entrar num estúdio de arte em Dallas à procura de emprego, Auburn não esperava encontrar o enigmático Owen Gentry, que lhe desperta uma intensa atração. Pela primeira vez, Auburn se vê correndo riscos e deixa o coração falar mais alto, até descobrir que Owen está encobrindo um enorme segredo. A importância do passado do artista ameaça acabar com tudo que Auburn mais ama, e a única maneira de reconstituir sua vida é mantendo Owen afastado.

Falar sobre ColleenHoover me faz sentir um frio na barriga e lembrar de todas as historias maravilhosas e únicas que já li dela e de todas as lições lindas que seus livros trazem.

Confesse, seu último livro lançado recentemente no Brasil, não foi diferente.

Uma das características mais marcantes nos livros da CoHo, na minha opinião, é que ela não tem medo de jogar o drama cru, feio e intenso, aqueles clichês que rasgam nossa alma, mas que mesmo assim  não ficam batidos, nem perdem a graça ou sua vontade de ler a historia, muito pelo contrário, te leva a devorar as paginas em poucas horas.

Em Confesse acompanhamos nossa protagonista Auburn Reed. Já nas primeiras páginas as lágrimas estavam presentes. Auburn é uma mocinha sofrida, está numa situação muito enrolada e séria, e precisa de um emprego. 

É quando ela passa na frente de uma galeria, com uma placa “precisando de ajuda’’. O modo como ela é contratada é mais uma jogada inteligente e cômica da escrita de Hoover, te deixando ainda mais envolvido com a história.

O dono da galeria, e pintor, é o maravilhoso e envolvente Owen Gentry, que faz pinturas baseadas nas confissões que as pessoas depositam anonimamente em uma caixinha na frente da galeria.

O livro é cheio das pinturas incríveis que retratam as confissões ( Dai o nome do livro ).

“-Uma confissão? – quando me viro e o encaro seu sorriso brincalhão se foi.
Seus braços se dobram sobre o peito com força e abaixa o queixo. Ele me olha como se estivesse nervoso com a minha reação.
- Sim. -ele diz simplesmente.
Olho para a janela e para todos os pedaços de  papéis que revestem o vidro. Meus olhos se movem ao redor da sala para todas as pinturas e noto tiras de papel coladas ao lado de cada um.
- São todas confissões – digo em espanto – São de pessoas reais? Pessoas que você conhece?
Ele balança a cabeça e se movimenta em direção a porta.
- Ela são anônimas. As pessoas deixam suas confissões naquela abertura ali, e eu as uso como inspiração para minha arte.”

A atração entre eles é instantânea, mas Auburn está num momento muito delicado em sua vida, e trazer mais uma pessoa nessa confusão não é a melhor opção.

Owen se mostra cada vez mais disposto a enfrentar as dificuldades e aceitar as confissões que Auburn tem a fazer sobre ela mesma.

“Eu o beijo suavemente, e ele não faz nada para tentar parar isso, nem tenta prolongar. Ele só aceita o beijo enquanto ele inala devagar. Eu não separo meus lábios, e nenhum de nós tenta aprofundar o beijo. Eu acho que nós sabemos que esse beijo foi mais um ‘obrigado’ do que um ‘eu quero você’.
Quando eu me afasto, seus olhos estão fechados e ele parece tão em paz como só ele me faz sentir.”

Não dá pra dizer mais porque, as historias de Colleen são cheias de detalhes e acontecimentos que puxam o outro, e qualquer coisa que você falar vai ser spoiler.

A única coisa que digo é que Confesse não decepciona. Nele eu encontrei uma das passagens mais lindas e delicadas que já li em romances ( E que não posso postar aqui porque é spoiler hahaha).

Mas sou suspeita pra falar. Colleen Hoover é minha autora preferida.

“Vou te amar pra sempre, mesmo quando não puder mais.”

Confesse virou uma série num site americano, e tá lindo e impecável. Está disponível no site da go90, infelizmente não foi lançado no Brasil e nem tem legendado. Mas vale a pena assistir depois que você ler o livro. Aqui você consegue ver o trailer legendado.

Collen também fez um instagram onde ela posta confissões anônimas, é interessante dar uma olhada e ver que não estamos sozinhos em algumas situações (clique Aqui).

Juliana Debarbara

Resenha - O bebê de Rosemary


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Livro: O bebê de Rosemary

Autor: Ira Levin

Editora: Amarilys

Páginas: 224

Gênero: Terror

Sinopse: “Rosemary Woodhouse e seu marido Guy, um ator que luta para se firmar na carreira, mudam-se para um dos endereços mais disputados de Nova York, o Bramford, um edifício antigo de ares vitorianos, habitado em sua maioria por moradores idosos e célebre por uma reputação algo macabra de incidentes misteriosos ao longo da história. 
Sem demora, os novos vizinhos, Roman e Minnie Castevet, vêm dar boas-vindas aos Woodhouse. Apesar das reservas de Rosemary com relação a seus hábitos excêntricos e aos barulhos estranhos que ouve à noite, o casal idoso logo passa a ser uma presença constante em suas vidas, especialmente na de Guy. Tudo parece ir de vento em popa. Guy consegue um ótimo papel na Broadway, e novas oportunidades não param de surgir para ele. Rosemary engravida, e os Castevets passam a tratá-la com atenção especial. Mas, à medida que a gestação evolui e parece deixá-la mais frágil, Rosemary começa a suspeitar que as coisas não são o que parecem ser...”

A resenha de hoje é sobre um livro incrível, cuja leitura me deixou com dor nos ombros de tanta tensão que senti.

O bebê de Rosemary é amplamente conhecido pelo filme, dirigido por Roman Polanski no final da década de 60, que se consagrou como um dos maiores clássicos do terror. No entanto, o que muita gente não sabe – inclusive eu, que só descobri isso há cerca de dois anos – que essa grande obra foi baseada no livro escrito por Ira Levin.

O enredo gira em torno de Guy e Rosemary Woodhouse, que se casaram há pouco tempo e estão em busca de um novo local para morar. Eles assinam o contrato relativo a um imóvel recém-construído, bem amplo e moderno. Poucos dias depois, recebem a notícia de que chegou a sua vez na longa lista de espera para um apartamento no prédio Bramford. Quando fazem a visita apenas por curiosidade, se deparam com um edifício de instalações precárias, de carpete puído e pintura encardida, além de um apartamento que não impressiona. Mas, esperaram por mais de um ano nessa fila e, afinal, é o Bramford. Então, eles cancelam o contrato do outro imóvel para adotar a nova moradia vitoriana e decadente.

Após algum tempo depois de se mudarem, eles conhecem o casal Castevet. São dois idosos que adotaram uma jovem que se encontrava na sarjeta. Rosemary faz amizade com essa jovem em suas idas à lavanderia do prédio, que fica no porão. Acontece que, em um curto período de dias, a dita jovem se suicida, pulando do Bramford. Diante dessa situação, os Woodhouse simpatizam com os Castevet, e dão início a um relacionamento de visitas recíprocas. Rosemary fica um pouco receosa no princípio, mas Guy logo estreita os laços.

Ato contínuo, a carreira de Guy dá uma guinada meteórica. O ator para quem ele perdeu um grande papel principal, acorda cego sem qualquer justificativa e Guy acaba ganhando esse papel. Em paralelo, diversas outras oportunidades profissionais vão surgindo para ele e o seu sucesso desponta da noite para o dia.

Nesse clima de comemoração da nova fase, Rosemary decide fazer um jantar romântico para o marido. Sabendo disso, Minnie Castevet envia uma sobremesa ao casal. O sabor do doce é detestável, mas Guy insiste que ela coma tudo em consideração à atenção da vizinha. Rosemary começa a se sentir dopada e adormece no quarto. No entanto, esse não foi um sono tranquilo - muito pelo contrário. Ela fica naquele estado de semiconsciência e tem a noção real de que o marido força uma relação sexual brutal. Ao acordar, ela percebe diversas marcas em seu corpo e, ao perguntar ao marido o que aconteceu durante a noite, ele apenas responde que foi um pouco mais voraz. Ela fica indignada com a atitude invasiva dele, mas a briga não resulta em maiores conflitos, pois logo descobrem que Rosemary está grávida.

Quando o casal Castevetsabe da notícia, passa a frequentar a casa dos Woodhouse diariamente. Minnie impõe à Rosemary que se trate com um médico ancião de confiança e impõe a ela uma dieta com um suco de gosto terrível. Ao longo da gravidez, Rosemary começa a perder muito peso, fica com aparência cadavérica, sem viço, além de sentir dores e enjoos muito fortes. Ela pressente que tem algo errado com o bebê, mas todas as vezes em que menciona isso ao tal do médico, ele diz ser inteiramente normal. Sabendo desse receio, Minnie dá a ela um amuleto de prata pendurado em um cordão. Explica que, na verdade, se trata de um pequeno frasco com uma erva. Rosemary sente o cheiro de podre que vem do presente, mas o usa diariamente em consideração.

Com a ausência de melhora, ela decide, então, encontrar um grande amigo de longa data. Nesse almoço, ele a adverte sobre as lendas que rondam o prédio. E, ao analisar os acontecimentos por ela relatados, pede que ela seja cautelosa. Rosemary, claro, fica remoendo o assunto e tenta conversar com o marido, mas ele rejeita todas as suas preocupações e ela se sente completamente desamparada.

As evidências bastante sutis, no passar dos dias, deixam o leitor cismado: as atitudes dos personagens são suspeitas ou apenas fruto de benevolência para com os novos moradores? A repentina amizade com os idosos daquele prédio é natural ou por interesse? A ascensão profissional meteórica de Guy é coincidência ou foi causada por fatores externos, além de seu empenho? Quem está envolvido nessa conspiração (se é que ela existe)?

Fato é que a construção do enredo é tão fluida/ natural, que a tensão está justamente na dúvida. O medo não é revelado em grandes sustos, mas sim nessa expectativa que se mantém desde o início, culminando em um final maravilhoso.

Se O Exorcista estava no topo da lista dos livros que mais me assustaram, O bebê de Rosemary acaba de empatar com ele.

Embarquem também nessa aura de medo e podem apostar no filme do Polanski, porque ele é extremamente fiel ao livro!

Beijos,

Clara

Resenha - Memórias do subsolo


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Livro: Memorias do Subsolo

Autor: Fiódor Dostoiévski

Editora: Editora 34

Páginas: 152

Gênero: Romance

Sinopse: Escrito na cabeceira de morte de sua primeira mulher, numa situação de aguda necessidade financeira, 'Memórias do subsolo' condensa um dos momentos mais importantes da literatura ocidental, reunindo vários temas que reaparecerão mais tarde nos últimos grandes romances do escritor russo. Aqui ressoa a voz do 'homem do subsolo', o personagem-narrador que, à força de paradoxos, investe ferozmente contra tudo e contra todos- contra a ciência e contra a superstição, contra o progresso e contra o atraso, contra a razão e a desrazão-; mas investe, acima de tudo, contra o solo da própria consciência, criando uma narrativa ímpar, de altíssima voltagem poética, que se afirma e se nega a si mesma sucessivamente. Não é por acaso que muitos acabaram vendo neste livro uma prefiguração das ideias de Freud acerca do inconsciente. O próprio Nietzsche, ao lê-lo pela primeira vez, escreveu a um amigo- 'A voz do sangue (como denominá-lo de outro modo?) Fez-se ouvir de imediato e minha alegria não teve limites'.

O livro, com cerca de 150 páginas (a depender da edição) é dividido em duas partes, é realmente muito pequeno quando comparado ao tamanho de outras obras-primas de Dostoiévski. A primeira parte é intitulada "O Subsolo", contendo 11 capítulos; a segunda parte, "A Propósito da Neve Derretida", possui 10 capítulos.

A primeira parte do livro Dostoiévski tem um teor bastante filosófico e explora ideias que aparecem frequentemente em suas obras. São cinquenta páginas de puro desabafo, contradições e uma busca incansável do personagem pelo seu autoconhecimento. O homem do subsolo (como ele mesmo se intitula) um homem amargurado e mal resolvido que na sua misantropia não faz mal a ninguém a não ser a si mesmo. Esse homem esmagado pela sociedade oposto ao ‘’Homem de Ação’’, é consumido pela sua compulsão de pensar e de se interiorizar. Homem subterrâneo que é, precisa teorizar e raciocinar em excesso sobre a vida para poder suportá-la. É o típico homem que possui muito inteligência e pouca potência. Grande parte da filosofia de Friedrich Nietzsche pode ser deduzida dessa obra. Não é à toa que o filósofo alemão tenha se interessado tanto nessa obra.

O subsolo aparece sendo como um subconsciente humano. É no subsolo que se encontra pensamentos e ideias que queremos esconder de todos, até de nós mesmos, e são esses pensamentos que comandam nossos atos.

"Todo homem tem algumas lembranças que ele não conta a todo mundo, mas apenas a seus amigos. Ele tem outras lembranças que ele não revelaria nem mesmo para seus amigos, mas apenas para ele mesmo, e faz isso em segredo. Mas ainda há outras lembranças em que o homem tem medo de contar até a ele mesmo, e todo homem decente tem um considerável número dessas coisas guardadas bem no fundo. Alguém até poderia dizer que, quanto mais decente é o homem, maior o número dessas coisas em sua mente."


Na segunda parte, ‘A Propósito da Neve Molhada’ há três episódios que relatam de uma forma concreta como o nosso ‘’homem do subsolo’’ é encurralado socialmente pelos discursos e ações de uma sociedade despótica. Nessa parte do livro, a narrativa apresenta uma visão da consciência do protagonista, um dos melhores exemplos de como se usar o fluxo de consciência de um personagem. 

Memórias do Subsolo não é uma obra qualquer. É necessário muita concentração, dedicação e persistência para ler. Digo isso por experiência própria, comprei, pois havia me interessado por sua sinopse e estava bem barato. Fui tentar ler uma primeira vez e não consegui terminar nem a primeira parte. Parecia tudo muito confuso, as coisas não estavam sendo digeridas facilmente, parecia que eu estava lendo em grego. Uns anos depois, bem mais amadurecido, peguei para tentar lê-lo novamente, dessa vez me preocupei mais com a concentração na hora da leitura. E fluiu de forma maravilhosa, foi a primeira obra de Dostoiévski que eu li e logo após terminar ela, me apaixonei pelo autor e fui atrás de mais.

Dostoiévski nos leva a uma viagem nos recônditos da alma humana. Iniciamos o itinerário certo que a personagem nada tem a ver conosco. Para alguns, isso sim é verdade. Aqueles que olham em seus espelhos tais quais Narcisos. Para outros, a viagem é cheia de percalços, desconfortos. Porém, sabemos de nós mais um pouco graças a esse gênio supremo da literatura mundial. Tirar a máscara e olhar para o espelho que ela reflete pode tornar-nos outra pessoa ou reconhecer quem somos sem a censura moralista do bem e do mal. Dostoiévski não criou um personagem, apenas. Seu protagonista anônimo é a voz e a representação de diversas outras mentes inquietas que não conseguem encontrar seu lugar neste universo e que ainda vivem no mundo subterrâneo e particular de suas emoções.


"O fim dos fins, meus senhores: o melhor é não fazer nada! O melhor é a inércia consciente! Pois bem, viva o subsolo! Embora eu tenha dito realmente que invejo o homem normal até a derradeira gota da minha bílis, não quero ser ele, nas condições em que o vejo (embora não cesse de invejá-lo. Não, não, em todo caso, o subsolo é mais vantajoso!) Ali, pelo menos, se pode… mas estou mentindo agora também. Minto porque eu mesmo sei, como dois e dois, que o melhor não é o subsolo, mas algo diverso, absolutamente diverso, pelo qual anseio, mas que de modo nenhum hei de encontrar! Ao diabo o subsolo!"

Gabriel Suela

Projetos Culturais Ruralinos


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Projetos culturais são sempre um desafio muito grande para seus organizadores. As pessoas, geralmente, apresentam certa resistência contra isso, e nós, que estamos ativos no mundo literário, vemos isso com uma clareza desoladora. Desde clubes do livro até projetos de oficina de escrita, estamos sempre sendo negligenciados de alguma maneira, e isso pode ser desanimador. 

Já tive algumas experiências com projetos literários há algum tempo, depois que comecei a escrever, e eles sempre deram certo por um curto período. Depois, acabavam caindo no esquecimento e as pessoas perdiam o interesse. O primeiro foi um desafio literário online, que teve uma adesão razoável. Mas existem outros, maiores e mais organizados, e ele acabou sendo esquecido. Em seguida veio a revista literária, que foi um projeto muito bacana criado com uns amigos. Ela deu certo por três edições, até a vida cobrar o preço de cada um de nós. Trabalho, faculdade, assuntos pessoais... nosso projeto acabou desmoronando. Há aquela memória vívida hoje, mas por enquanto ela vai permanecer como memória. 

Todas essas coisas aconteceram antes de eu conhecer a faculdade (UFRRJ) e o mundo de possibilidades que ela poderia me proporcionar. Eu não esperava tanto de lá, e aqui é uma confissão sincera, mas quando entrei, foi um feedback completamente diferente. Lá eu tinha pessoas interessadas. Leitores vorazes, escritores amadores com habilidades impressionantes, que iam desde escritores de poesia até escritores de haicais. Essa percepção abriu um universo de possibilidades na minha cabeça, e, com o tempo, decidi abrir esse leque e colocar um pouco das ideias no mundo real. A seguir vou falar um pouco sobre os três projetos que estão rolando no momento. Com a ajuda de alguns amigos, estamos tentando conquistar um pouco mais de espaço com a cultura, e os resultados têm sido satisfatórios.

Poetas no Topo

O Poetas no Topo é um projeto que visa espalhar poesias pela Rural. Junto com alguns amigos do meu curso (Letras), juntamente com amigos de outros cursos (Filosofia e Jornalismo), escrevemos, imprimimos e colamos poesia pela universidade. Não é preciso de muito, e o projeto deu um bom primeiro passo nesse semestre de 2017.1. O projeto que nasceu a partir de três pessoas (Eu, Guilherme Carneiro e Gabriel Suela), hoje já conta com 9 pessoas, e aumentando. Um dos benefícios da faculdade de Letras é poder encontrar uma pessoa que escreve em cada esquina. Essa é uma sensação reconfortante, porque te faz se sentir em casa. No próximo semestre o número de participantes promete dobrar, e com isso teremos muito mais poesia espalhada por todos os cantos. 

DOIS FUNERAIS, DOIS MESES

Aeronaves:
aviões
e helicópteros.
Familiares:
avôs
e irmãs.
Tudo cai.
Tudo perece.
E o que cai
permanece caído.
E o que vai
não volta.
O que fica
sofre.
O que vive
tosse.
Como um morto não dá sinal de vida,
a tragédia só importa à família, querida.
Papai Noel escreve errado por linhas tortas.

- Guilherme Carneiro

Clube do Livro Ruralino

Assim como o projeto realizado aqui em Itaguaí, o clube do livro vem com essa proposta de leitura e debate. Temos uma enquete que define o “tema” ou “gênero” (como preferirem), e a partir da escolha desse tema/gênero, indicamos livros. Todos podem indicar. No fim, é feito um sorteio com todos os nomes sugeridos e o vencedor será o livro do mês. Acreditamos que dessa forma seria uma disputa mais limpa, onde todos teriam chances reais de terem seus livros escolhidos. Nossa primeira edição teve como livro escolhido “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. Na segunda o escolhido foi “O Planeta dos Macacos”, de Pierre Boulle, que ainda não foi debatido devido ao recesso de férias. A ideia é reunir pessoas com o intuito de incentivar a leitura e aliviar os estresses causados pelas pressões acadêmicas. Ainda estamos engatinhando, mas tudo leva a crer que será satisfatório.

Roda de Poesia

Como vocês podem perceber, todos os nossos projetos são voltados para essa área literária, e talvez aqui esteja o mais bem-sucedido deles. Com apenas dois encontros até o momento, a roda de poesia juntou mais de 50 pessoas numa única reunião. Buscamos sempre realizar todos ao ar livre, para que as pessoas que estão ao redor possam interagir e agregar. Tanto o clube, quanto a roda de poesia. A foto acima é da última que aconteceu, no final de Junho. Pessoas lendo suas poesias, poesias de grandes nomes e até mesmo outro tipo de manifestação aconteceu, como uma música. A ideia é reunir pessoas de todos os cursos, períodos e até mesmo quem é de fora, para ouvir, ler e ser poesia.

Ainda pretendo colocar outras coisas para funcionar no decorrer da minha estadia na faculdade, mas durante esse ano e meio que estou lá, posso dizer que o retorno foi gratificante, em todos os âmbitos. O importante é disseminar literatura, cultura e arte, e por enquanto tenho tido êxito nisso!

Jefferson Lemos

Resenha - Infinito + um


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Livro: Infinito + um

Autor: Amy Harmon

Editora: Verus

Paginas: 332

Gênero: Romance

Sinopse: Quando duas pessoas se tornam aliadas improváveis e foras da lei quase sem querer, como podem vencer todos os desafios? Bonnie Rae Shelby é uma estrela da música. Ela é rica, linda e incrivelmente famosa. E quer morrer. Finn Clyde é um zé-ninguém. Ele é sensível, brilhante e absurdamente cínico. E tudo o que ele quer é uma chance na vida.
Estranhas circunstâncias juntam o garoto que quer esquecer o passado e a garota que não consegue enfrentar o futuro. Tendo o mundo contra eles, esses dois jovens, tão diferentes um do outro, embarcam numa viagem alucinante que não só vai mudar a vida de ambos, como pode até lhes custar a vida.
Infinito + um é uma história sobre fama e fortuna, sobre privilégios e injustiças, sobre encontrar um amigo por trás da máscara de um estranho — e sobre descobrir o amor nos lugares mais inusitados.


Sabe aqueles livros que você quer guardar num potinho e proteger de tudo? Então, esse é um desses pra mim. 

Infinito + um mexeu no fundo da minha alma. Acho que pela ligação com a música, me pegou de um jeito que fiquei até surpresa.

Amy Harmon consegue criar histórias que te tocam e te deixam envolvida com os personagens, e quando você menos espera, eles começam a fazer parte de você, porque não tem como ler alguma coisa de Amy e não sair com alguma lição pra gente.

Nesse livro vamos conhecer Bonnie, uma super cantora de country, famosa, rica, mas infeliz. Abusada pela família, ela vê como única alternativa uma tentativa de suicídio pulando de uma ponte. Mas ai entra nosso turrão e encantador Finn Clyde, que a “salva”, e eles embarcam em uma viagem de fuga e descobertas.

Bonnie, apesar desse surto de desespero, é uma personagem muito viva e alegre, completamente madura e nada deslumbrada com a fama. Ela me conquistou nas primeiras páginas, e sem querer, comecei a relacionar a imagem dela com a Miley Cyrus. (hahaha) 

Cresceu rodeada de música, fazendo sucesso muito cedo, o que a fez pular muitas fazes da vida, mas ao mesmo tempo apaixonada pelo que fazia.

“- Eu acredito na música. Acho que a música é para mim o que os números são pra você. Existe poder na música. Existe cura. Deus também está nela, se você deixar que ele entre. Durante a minha infância em Grassley, todo mundo era tão pobre que Jesus era a única coisa que nos restava... então eu acredito nele também. E tanto Deus como a música, quando passam a ser verdadeiramente nossos, são duas coisas que ninguém pode tirar da gente.” Pág. 85

Eu também me apaixonei por Finn logo no início, mas ele foi um personagem que mudou muito ao longo do livro. Extremamente inteligente, mas muito mal humorado e fechado até a alegria contagiante de Bonnie o infectar e ele ver que ela é justamente tudo que ele precisava pra se completar, e vice-versa.

A história dos dois passa por muitas reviravoltas nessa viagem sem rumo guiada por uma trilha sonora incrível, mas o amor que vai se instalando entre eles faz com que todos os buracos negros sejam iluminados e o que é realmente verdadeiro prevalece.

“- Quanto é infinito mais um? – interrompi Katy, fazendo a Finn minha própria pergunta.
- Ainda é infinito – respondeu ele, com um suspiro.
- Errado. É dois.
- Ah, é? Como foi que você chegou a essa conclusão?
- Infinito – disse eu traduzindo o nome ‘Infinity’ e apontando para Finn. Depois apontei para mim e disse: - Mais um. Ou seja, dois, gênio.” Pág. 110

Nossos novos Bonnie e Clyde terminam a história nos deixando querendo mais pra saber como eles estão agora.

Amy Harmon nunca decepciona em suas histórias, esse foi o segundo livro que li dela, e se me pedirem para indicar autoras, eu não hesito em dizer seu nome.

Juliana Debarbara

Cobertura de eventos - Jane Austen


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Evento: Lançamento do box com três obras de Jane Austen

Editora:Nova Fronteira
Local: Rio de Janeiro



Hoje vamos falar sobre dois eventos, que ocorreram aqui no Rio de Janeiro, para promover o lançamento desse box, contendo três obras de Jane Austen, sendo elas:

* Orgulho e Preconceito
* Razão e Sentimento
* Emma

As edições estão realmente muito caprichadas, em capa dura, com paleta de cores diferenciada para cada um dos títulos, além de uma folha de guarda delicada para cada volume.


Evento – Encontro de Fãs de Jane Austen – dia 30/06/2017


Esse primeiro evento foi realizado com a parceria firmada entre a Editora Nova Fronteira e o Blog Leitora da Depressão, tendo como cenário a Livraria da Travessa de Botafogo.




O local por si só já é um charme e muito aconchegante. O evento teve um tom de encontro de fãs e foi maravilhoso desfrutar da troca de experiências entre leitores de diversas gerações. Foram abordadas todas as obras da autora, com uma atenção especial dedicada àquelas que estão sendo relançadas nesse novo box. Nesse tópico, houve muito bate-papo, com participação de todos os presentes.

Além disso, foram distribuídos brindes por meio de sorteios e o grande prêmio – o box – foi disputado em um quiz muito divertido entre duas grandes fãs. 




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Evento – Uma Noite com Jane Austen – dia 17/07/2017


Já em contrapartida, o segundo evento teve uma abordagem mais científica, sendo composto pela parceria entre a Editora Nova Fronteira e a página Jane Austen Brasil, a qual é administrada pela Adriana Sales (presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil desde 2009, autora de diversos capítulos de livros e artigos sobre a escritora, além de ter traduzido Emma, Mansfield Park e Razão e Sensibilidade).

O encontro se deu na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, e contou com a ilustre presença de Ivo Barroso, grande tradutor da obra da autora, sendo responsável pela tradução de Razão e Sentimento e Emma, integrantes do box. 




Ivo Barroso contou sobre como recebeu o primeiro convite para traduzir Jane Austen. Na época, estava traduzindo Shakespeare e não conhecia a autora. No entanto, em suas palavras, foi amor à primeira leitura de Sense and Sensibility.

Sendo muito querido e divertido ao longo do evento, Ivo nos contou o porquê de sua tradução levar o título de “Razão e Sentimento” e não de “Razão e Sensibilidade”. Ele explicou que o maior impasse estava na presença tanto de dicotomia como de aliteração em "s" no título, assim como em Pride and Prejudice, com aliteração em "p". 

Sense, em português, poderia ser traduzido como “bom senso”, mas apenas “senso” não possui o mesmo significado. Além disso, sensibility é o mesmo que feelings e não tem relação com a palavra “sensibilidade”. Por isso, ele concluiu que o mais adequado, segundo a essência do enredo, seria “Razão e Sentimento”. Não foi possível manter a aliteração, mas Ivo entende que o importante é pensar na dicotomia, que foi o que fez o Lucio Cardoso, ao traduzir Orgulho e Preconceito (em 1940), tradução que, inclusive, é a incluída nesse novo box.

Quando o evento foi aberto às perguntas, um dos participantes questionou sobre a experiência de traduzir Jane Austen. Ivo reconheceu que não foi nada fácil. Isso porque, na época da autora, o estilo de escrita era de frases longas e ela era muito cuidadosa com a escolha de termos e expressões. Em respeito a essa preocupação da própria Jane, a tradução precisava observar a manutenção do texto em seu sentido original.

Ao final, após o sorteio de exemplares de Novelas Inacabadas e também do box, o querido Ivo autografou os exemplares traduzidos por ele.

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Vamos aproveitar o bicentenário de falecimento da autora para ler suas obras? 😌

Beijos,

Clara


Resenha - O planeta dos macacos


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Livro: O Planeta dos Macacos

Autor: Pierre Boulle

Editora: Aleph

Páginas: 216

Gênero: Ficção Científica

Sinopse: Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante... os macacos. Desde as primeiras páginas até o surpreendente final – ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 –, O planeta dos macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas das questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos de nossa espécie? Publicado pela primeira vez em 1963, O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, inspirou uma das mais bem-sucedidas franquias da história do cinema, tendo início no clássico de 1968, estrelado por Charlton Heston, passando por diversas sequências e chegando às adaptações cinematográficas mais recentes. Com milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, O planeta dos macacos é um dos maiores clássicos da ficção científica, imprescindível aos fãs de cultura pop.

Recentemente tivemos um sorteio no clube do livro da UFRRJ, do qual sou organizador, do livro O Planeta dos Macacos e foi uma grande surpresa para mim, porque por mais que eu já tivesse demonstrado interesse na leitura do mesmo, não o faria tão cedo. Mas calhou de cair justamente ele e, bem, eu li. Já tinha ouvido falar muito bem, mas não conhecia nenhum trabalho do autor (e confesso que continuo sem conhecer nada além de Planeta dos Macacos). Pierre Boulle (20/02/1912 – 30/01/1994) foi um Engenheiro militar que atuou como agente secreto francês durante a Segunda Guerra Mundial. Sua vivência como soldado da resistência francesa influenciou muito na sua escrita, e O Planeta dos Macacos é um livro que mostra muito do poder descritivo do autor, nesse sentido. Lançado em 1962, o livro se tornou um sucesso literário que lhe garantiu uma adaptação cinematográfica na época

O Planeta dos Macacos – Dirigido por Franklin J. Schaffner – 1968

“Deu um grito de triunfo e voltou para bordo com sua presa.Era um garrafão, cujo gargalo fora cuidadosamente vedado. Via-se um rolo de papel no interior.– Jinn, quebre-a rápido! exclamouPhyllis, batendo os pés.”- pág. 09



A história se inicia através da perspectiva de Jinn e Phyllis, dois navegadores espaciais que gostam de passar um tempo transitando pelo espaço apenas por diversão, que encontram uma garrafa flutuando no nada, e dela retiram os escritos que dão início aos relatos de Ulysse Mérou, um jornalista francês que embarcou numa viagem centenária em direção ao sistema de Alpha Orions, em busca de um planeta que se assemelhava a terra.

Batizado como Soror, o planeta encontrado é como uma réplica da terra, apenas banhado por uma estrela muito maior. Os relatos científicos descritos na viagem são parte interessante da narrativa, pois imprimem uma sensação de realidade ficcional, característica dos textos que apresentam hibridismo. Os viajantes desembarcam no planeta a espera de descobertas revolucionárias na ciência terrestre, mas não estavam preparados para o que encontrariam tão logo a sua chegada. Os animais de Soror eram humanos. Assim como os símios da terra, os humanos viviam na natureza e se comportavam como animais. Os primeiros contatos dos nativos com os navegantes mostram-se pacíficos, até que os aparatos e ferramentas que Ulysse e seus companheiros usam atrapalham tudo. A trama vai se desenrolar a partir daí até o clímax da primeira parte, onde, sendo caçados como animais, os viajantes espaciais descobrem que a sociedade dominante naquele planeta é composta de símios.

 “Eu arfava de esperança, cada vez mais convencido de que ela começava a reconhecer minhanobre essência. Quando se dirigiu imperiosamente a um dos gorilas, tive a louca esperança deque fossem abrir minha jaula, com desculpas. Ai de mim! Não era nada disso! O guardavasculhou em seu bolso e sacou um pequeno objeto branco, que entregou à sua patroa. Elacolocou-o pessoalmente em minha mão com um sorriso encantador. Era um torrão de açúcar.
Um torrão de açúcar! Despenquei de tão alto, senti-me de repente tão desencorajado diante da humilhação daquela recompensa que quase atirei-a na cara dela.” – pág.46

 Componentes de uma sociedade não tão evoluída quanta a humana, os símios demonstram inteligência e uma organização política bem sólida, o que impede que guerras entre eles mesmo aconteçam. Ulysse passa por diversas desventuras como prisioneiro em Soror, e através dessa condição de alguém privado da liberdade, a personagem levanta boas indagações que, tendo vista a experiência de vida do autor, pareces bem reais. Boulle foi prisioneiro durante praticamente dois anos e meio, quando ainda soldado. 


Banksy
A inserção de novas figuras no decorrer da trama constrói um emaranhado que abala as estruturas sociais dos símios, e põe em risco sua soberania no planeta, quando novas descobertas são feitas e Ulysse se torna o ponto principal de tais investigações. 

Construindo a história através de visões científicas e questionamentos sobre nossa própria conduta como ser humano, Boulle instiga o imaginário do leitor a se colocar no lugar do outro, do oprimido, e nos mostra como as emoções agem sobre a mente humana em situações extremas. Numa visão mais pessoal acerca do livro, acredito que Boulle tenta mostrar os horrores da guerra e da falta de humanidade que ocorria nos campos de trabalho escravo. Ele levanta questionamentos necessários para a evolução como ser humano que diziam muito respeito aos anos sombrios que a guerra proporcionou, misturando realidade e ficção, ainda atentando para a forma como tratamos os animais irracionais e o possível sofrimento que somos capazes de infligir. 


 Jefferson Lemos