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Resenha - Confesse


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Livro: Confesse 

Autora: Colleen Hoover

Editora: Galera Record

Páginas: 235

Gênero: Romance

Sinopse: Auburn Reed perdeu tudo que era importante para ela. Na luta para reconstruir a vida destruída, ela se mantém focada em seus objetivos e não pode cometer nenhum erro. Mas ao entrar num estúdio de arte em Dallas à procura de emprego, Auburn não esperava encontrar o enigmático Owen Gentry, que lhe desperta uma intensa atração. Pela primeira vez, Auburn se vê correndo riscos e deixa o coração falar mais alto, até descobrir que Owen está encobrindo um enorme segredo. A importância do passado do artista ameaça acabar com tudo que Auburn mais ama, e a única maneira de reconstituir sua vida é mantendo Owen afastado.

Falar sobre ColleenHoover me faz sentir um frio na barriga e lembrar de todas as historias maravilhosas e únicas que já li dela e de todas as lições lindas que seus livros trazem.

Confesse, seu último livro lançado recentemente no Brasil, não foi diferente.

Uma das características mais marcantes nos livros da CoHo, na minha opinião, é que ela não tem medo de jogar o drama cru, feio e intenso, aqueles clichês que rasgam nossa alma, mas que mesmo assim  não ficam batidos, nem perdem a graça ou sua vontade de ler a historia, muito pelo contrário, te leva a devorar as paginas em poucas horas.

Em Confesse acompanhamos nossa protagonista Auburn Reed. Já nas primeiras páginas as lágrimas estavam presentes. Auburn é uma mocinha sofrida, está numa situação muito enrolada e séria, e precisa de um emprego. 

É quando ela passa na frente de uma galeria, com uma placa “precisando de ajuda’’. O modo como ela é contratada é mais uma jogada inteligente e cômica da escrita de Hoover, te deixando ainda mais envolvido com a história.

O dono da galeria, e pintor, é o maravilhoso e envolvente Owen Gentry, que faz pinturas baseadas nas confissões que as pessoas depositam anonimamente em uma caixinha na frente da galeria.

O livro é cheio das pinturas incríveis que retratam as confissões ( Dai o nome do livro ).


“-Uma confissão? – quando me viro e o encaro seu sorriso brincalhão se foi.
Seus braços se dobram sobre o peito com força e abaixa o queixo. Ele me olha como se estivesse nervoso com a minha reação.
- Sim. -ele diz simplesmente.
Olho para a janela e para todos os pedaços de  papéis que revestem o vidro. Meus olhos se movem ao redor da sala para todas as pinturas e noto tiras de papel coladas ao lado de cada um.
- São todas confissões – digo em espanto – São de pessoas reais? Pessoas que você conhece?
Ele balança a cabeça e se movimenta em direção a porta.
- Ela são anônimas. As pessoas deixam suas confissões naquela abertura ali, e eu as uso como inspiração para minha arte.”

A atração entre eles é instantânea, mas Auburn está num momento muito delicado em sua vida, e trazer mais uma pessoa nessa confusão não é a melhor opção.

Owen se mostra cada vez mais disposto a enfrentar as dificuldades e aceitar as confissões que Auburn tem a fazer sobre ela mesma.

“Eu o beijo suavemente, e ele não faz nada para tentar parar isso, nem tenta prolongar. Ele só aceita o beijo enquanto ele inala devagar. Eu não separo meus lábios, e nenhum de nós tenta aprofundar o beijo. Eu acho que nós sabemos que esse beijo foi mais um ‘obrigado’ do que um ‘eu quero você’.
Quando eu me afasto, seus olhos estão fechados e ele parece tão em paz como só ele me faz sentir.”

Não dá pra dizer mais porque, as historias de Colleen são cheias de detalhes e acontecimentos que puxam o outro, e qualquer coisa que você falar vai ser spoiler.

A única coisa que digo é que Confesse não decepciona. Nele eu encontrei uma das passagens mais lindas e delicadas que já li em romances ( E que não posso postar aqui porque é spoiler hahaha).

Mas sou suspeita pra falar. Colleen Hoover é minha autora preferida.

“Vou te amar pra sempre, mesmo quando não puder mais.”

Confesse virou uma série num site americano, e tá lindo e impecável. Está disponível no site da go90, infelizmente não foi lançado no Brasil e nem tem legendado. Mas vale a pena assistir depois que você ler o livro. Aqui você consegue ver o trailer legendado.

Collen também fez um instagram onde ela posta confissões anônimas, é interessante dar uma olhada e ver que não estamos sozinhos em algumas situações (clique Aqui).

Juliana Debarbara

Resenha - Memórias do subsolo


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Livro: Memorias do Subsolo

Autor: Fiódor Dostoiévski

Editora: Editora 34

Páginas: 152

Gênero: Romance

Sinopse: Escrito na cabeceira de morte de sua primeira mulher, numa situação de aguda necessidade financeira, 'Memórias do subsolo' condensa um dos momentos mais importantes da literatura ocidental, reunindo vários temas que reaparecerão mais tarde nos últimos grandes romances do escritor russo. Aqui ressoa a voz do 'homem do subsolo', o personagem-narrador que, à força de paradoxos, investe ferozmente contra tudo e contra todos- contra a ciência e contra a superstição, contra o progresso e contra o atraso, contra a razão e a desrazão-; mas investe, acima de tudo, contra o solo da própria consciência, criando uma narrativa ímpar, de altíssima voltagem poética, que se afirma e se nega a si mesma sucessivamente. Não é por acaso que muitos acabaram vendo neste livro uma prefiguração das ideias de Freud acerca do inconsciente. O próprio Nietzsche, ao lê-lo pela primeira vez, escreveu a um amigo- 'A voz do sangue (como denominá-lo de outro modo?) Fez-se ouvir de imediato e minha alegria não teve limites'.

O livro, com cerca de 150 páginas (a depender da edição) é dividido em duas partes, é realmente muito pequeno quando comparado ao tamanho de outras obras-primas de Dostoiévski. A primeira parte é intitulada "O Subsolo", contendo 11 capítulos; a segunda parte, "A Propósito da Neve Derretida", possui 10 capítulos.

A primeira parte do livro Dostoiévski tem um teor bastante filosófico e explora ideias que aparecem frequentemente em suas obras. São cinquenta páginas de puro desabafo, contradições e uma busca incansável do personagem pelo seu autoconhecimento. O homem do subsolo (como ele mesmo se intitula) um homem amargurado e mal resolvido que na sua misantropia não faz mal a ninguém a não ser a si mesmo. Esse homem esmagado pela sociedade oposto ao ‘’Homem de Ação’’, é consumido pela sua compulsão de pensar e de se interiorizar. Homem subterrâneo que é, precisa teorizar e raciocinar em excesso sobre a vida para poder suportá-la. É o típico homem que possui muito inteligência e pouca potência. Grande parte da filosofia de Friedrich Nietzsche pode ser deduzida dessa obra. Não é à toa que o filósofo alemão tenha se interessado tanto nessa obra.

O subsolo aparece sendo como um subconsciente humano. É no subsolo que se encontra pensamentos e ideias que queremos esconder de todos, até de nós mesmos, e são esses pensamentos que comandam nossos atos.

"Todo homem tem algumas lembranças que ele não conta a todo mundo, mas apenas a seus amigos. Ele tem outras lembranças que ele não revelaria nem mesmo para seus amigos, mas apenas para ele mesmo, e faz isso em segredo. Mas ainda há outras lembranças em que o homem tem medo de contar até a ele mesmo, e todo homem decente tem um considerável número dessas coisas guardadas bem no fundo. Alguém até poderia dizer que, quanto mais decente é o homem, maior o número dessas coisas em sua mente."


Na segunda parte, ‘A Propósito da Neve Molhada’ há três episódios que relatam de uma forma concreta como o nosso ‘’homem do subsolo’’ é encurralado socialmente pelos discursos e ações de uma sociedade despótica. Nessa parte do livro, a narrativa apresenta uma visão da consciência do protagonista, um dos melhores exemplos de como se usar o fluxo de consciência de um personagem. 

Memórias do Subsolo não é uma obra qualquer. É necessário muita concentração, dedicação e persistência para ler. Digo isso por experiência própria, comprei, pois havia me interessado por sua sinopse e estava bem barato. Fui tentar ler uma primeira vez e não consegui terminar nem a primeira parte. Parecia tudo muito confuso, as coisas não estavam sendo digeridas facilmente, parecia que eu estava lendo em grego. Uns anos depois, bem mais amadurecido, peguei para tentar lê-lo novamente, dessa vez me preocupei mais com a concentração na hora da leitura. E fluiu de forma maravilhosa, foi a primeira obra de Dostoiévski que eu li e logo após terminar ela, me apaixonei pelo autor e fui atrás de mais.

Dostoiévski nos leva a uma viagem nos recônditos da alma humana. Iniciamos o itinerário certo que a personagem nada tem a ver conosco. Para alguns, isso sim é verdade. Aqueles que olham em seus espelhos tais quais Narcisos. Para outros, a viagem é cheia de percalços, desconfortos. Porém, sabemos de nós mais um pouco graças a esse gênio supremo da literatura mundial. Tirar a máscara e olhar para o espelho que ela reflete pode tornar-nos outra pessoa ou reconhecer quem somos sem a censura moralista do bem e do mal. Dostoiévski não criou um personagem, apenas. Seu protagonista anônimo é a voz e a representação de diversas outras mentes inquietas que não conseguem encontrar seu lugar neste universo e que ainda vivem no mundo subterrâneo e particular de suas emoções.


"O fim dos fins, meus senhores: o melhor é não fazer nada! O melhor é a inércia consciente! Pois bem, viva o subsolo! Embora eu tenha dito realmente que invejo o homem normal até a derradeira gota da minha bílis, não quero ser ele, nas condições em que o vejo (embora não cesse de invejá-lo. Não, não, em todo caso, o subsolo é mais vantajoso!) Ali, pelo menos, se pode… mas estou mentindo agora também. Minto porque eu mesmo sei, como dois e dois, que o melhor não é o subsolo, mas algo diverso, absolutamente diverso, pelo qual anseio, mas que de modo nenhum hei de encontrar! Ao diabo o subsolo!"

Gabriel Suela

Resenha - Infinito + um


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Livro: Infinito + um

Autor: Amy Harmon

Editora: Verus

Paginas: 332

Gênero: Romance

Sinopse: Quando duas pessoas se tornam aliadas improváveis e foras da lei quase sem querer, como podem vencer todos os desafios? Bonnie Rae Shelby é uma estrela da música. Ela é rica, linda e incrivelmente famosa. E quer morrer. Finn Clyde é um zé-ninguém. Ele é sensível, brilhante e absurdamente cínico. E tudo o que ele quer é uma chance na vida.
Estranhas circunstâncias juntam o garoto que quer esquecer o passado e a garota que não consegue enfrentar o futuro. Tendo o mundo contra eles, esses dois jovens, tão diferentes um do outro, embarcam numa viagem alucinante que não só vai mudar a vida de ambos, como pode até lhes custar a vida.
Infinito + um é uma história sobre fama e fortuna, sobre privilégios e injustiças, sobre encontrar um amigo por trás da máscara de um estranho — e sobre descobrir o amor nos lugares mais inusitados.


Sabe aqueles livros que você quer guardar num potinho e proteger de tudo? Então, esse é um desses pra mim. 

Infinito + um mexeu no fundo da minha alma. Acho que pela ligação com a música, me pegou de um jeito que fiquei até surpresa.

Amy Harmon consegue criar histórias que te tocam e te deixam envolvida com os personagens, e quando você menos espera, eles começam a fazer parte de você, porque não tem como ler alguma coisa de Amy e não sair com alguma lição pra gente.

Nesse livro vamos conhecer Bonnie, uma super cantora de country, famosa, rica, mas infeliz. Abusada pela família, ela vê como única alternativa uma tentativa de suicídio pulando de uma ponte. Mas ai entra nosso turrão e encantador Finn Clyde, que a “salva”, e eles embarcam em uma viagem de fuga e descobertas.

Bonnie, apesar desse surto de desespero, é uma personagem muito viva e alegre, completamente madura e nada deslumbrada com a fama. Ela me conquistou nas primeiras páginas, e sem querer, comecei a relacionar a imagem dela com a Miley Cyrus. (hahaha) 

Cresceu rodeada de música, fazendo sucesso muito cedo, o que a fez pular muitas fazes da vida, mas ao mesmo tempo apaixonada pelo que fazia.

“- Eu acredito na música. Acho que a música é para mim o que os números são pra você. Existe poder na música. Existe cura. Deus também está nela, se você deixar que ele entre. Durante a minha infância em Grassley, todo mundo era tão pobre que Jesus era a única coisa que nos restava... então eu acredito nele também. E tanto Deus como a música, quando passam a ser verdadeiramente nossos, são duas coisas que ninguém pode tirar da gente.” Pág. 85

Eu também me apaixonei por Finn logo no início, mas ele foi um personagem que mudou muito ao longo do livro. Extremamente inteligente, mas muito mal humorado e fechado até a alegria contagiante de Bonnie o infectar e ele ver que ela é justamente tudo que ele precisava pra se completar, e vice-versa.

A história dos dois passa por muitas reviravoltas nessa viagem sem rumo guiada por uma trilha sonora incrível, mas o amor que vai se instalando entre eles faz com que todos os buracos negros sejam iluminados e o que é realmente verdadeiro prevalece.

“- Quanto é infinito mais um? – interrompi Katy, fazendo a Finn minha própria pergunta.
- Ainda é infinito – respondeu ele, com um suspiro.
- Errado. É dois.
- Ah, é? Como foi que você chegou a essa conclusão?
- Infinito – disse eu traduzindo o nome ‘Infinity’ e apontando para Finn. Depois apontei para mim e disse: - Mais um. Ou seja, dois, gênio.” Pág. 110

Nossos novos Bonnie e Clyde terminam a história nos deixando querendo mais pra saber como eles estão agora.

Amy Harmon nunca decepciona em suas histórias, esse foi o segundo livro que li dela, e se me pedirem para indicar autoras, eu não hesito em dizer seu nome.

Juliana Debarbara

Resenha - O velho e o mar


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Livro: O velho e o mar


Autor: Ernest Hemingway


Editora: Betrand Brasil


Páginas: 128

Gênero: Romance

Sinopse: Depois de anos na profissão, havia 84 dias que o velho pescador Santiago não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas ele possui coragem, acredita em si mesmo, e parte sozinho para alto-mar, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.Esta é a história de um homem que convive com a solidão, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e a inabalável confiança na vida. Com um enredo tenso que prende o leitor na ponta da linha, Hemingway escreveu uma das mais belas obras da literatura contemporânea Uma história dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete.

O Velho e o Mar é um romance de Hernest Hemingway, escrito em Cuba em 1951 e publicado em 1952. Hemingway foi um escritor norte-americano nascido em 21 de julho de 1899. Viveu grande parte da sua vida na Europa mas na década de 1930 se mudou para Cuba, onde costumava visitar frequentemente para pescar. 


O livro conta a história de um velho pescador que luta com um gigante Marlim em alto mar por entre a Corrente do Golfo. A historia tem como personagem principal um velho pescador cubano chamado Santiago. Apesar de sua grande experiência em pescas, Santiago encontra-se em uma grande maré de azar, ficando quase três meses sem conseguir um peixe. Santiago tem um jovem amigo, chamado Manolin, que incentiva o velho a persistir e continuar pescando. Na manhã do 85° dia, o velho consegue pescar um peixe, de tamanho descomunal, jamais visto até mesmo por Santiago, que dizia ter visto muitos peixes grandes em sua vida.

O peixe oferece muita resistência, e da bastante trabalho para o velho, arrastando a canoa de Santiago cada vez mais e mais para o alto mar. Santiago sofre com o sol, dificuldades para se alimentar. Depois de alguns dias, e uma luta extremamente épica, Santiago consegue finalmente matar o peixe e amarrá-lo à sua canoa. Porém, enquanto retornava a costa, sofre constantes ataques de tubarões.

“ – Mas o homem não foi feito para a derrota – disse em voz alta. – Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado.” - pág. 89

 Vale ressaltar a maestria de Hemmingway em sua escrita que fez uma 'simples' disputa entre um velho e um peixe se tornar uma batalha super épica de deixar qualquer leitor sem fôlego. A batalha se estende por vários capítulos e é extremamente detalhada.Você consegue realmente se sentir na pele de Santiago, as descrições usadas pelo autor são extremamente realistas, cada passo que o velho da, cada sofrimento ou ferida que ele tem, dói em você. Nesse momento de luta e dificuldades, Santiago, se queixa sempre de seus valores, e expõe muito sua opinião sobre determinados aspectos da vida de um modo geral. O velho se indaga se o que está fazendo é realmente certo, se aquilo tudo, todo aquele sofrimento valeria a pena e várias outras reflexões sobre a vida que nos levam a parar e pensar melhor, o que nós somos, e como nós agimos em relação as coisas que acontecem em nossa vida.

Depois de alguns dias, e uma batalha de tirar o fôlego, Santiago consegue finalmente matar o peixe e amarrá-lo à sua canoa. Porém, enquanto retornava a costa, achando que estava tudo resolvido e que voltaria para sua casa com um peixe enorme e intacto, sofre constantes ataques de tubarões. Que se tornam o novo e último desafio do Velho, que já estava quase que completamente esgotado. Quando finalmente consegue chegar à praia, o peixe já estava sem carne, só restava a sua espinha, e Santiago estava completamente sem forças. Os outros pescadores, vendo tamanho peixe, o maior que alguém já havia pescado, respeitam e ajudam-no, especialmente o jovem Manolin, que gostava muito do velho.

 Apesar de ter sido alvo de apreciações muito divergentes por parte da crítica, é uma obra que permanece uma referência entre os livros de Hemingway, tendo reafirmado a importância do autor em tempo de o qualificar para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954A obra de Hemingway se caracteriza, para mim, como a busca típica dos homens de sua geração, de uma saciedade para uma vida nunca alcançada mas sempre desejada como um sopro vital. O Velho e o Mar se enquadra perfeitamente nessa persecução obstinada por um sentido para a vida. Não foram poucos os que quiseram atribuir discursos subliminares ou intenções políticas camufladas a ‘ O Velho e o Mar ’, mas Hemingway sempre foi enfático em afirmar que apenas se tratava da história de um velho pescador.

“Entretanto, o velho pescador pensava sempre no mar no feminino e como se fosse uma coisa que concedesse ou negasse grandes favores; mas se o mar praticasse selvagerias ou crueldades era só porque não podia evitá-lo. ‘A lua afeta o mar tal como afeta as mulheres’.” - pág. 25

A obstinação existencial, característica de ‘ O Velho e o Mar ’ o torna a principal obra de uma geração que sonhou com uma humanidade mais fraterna, mas que se desencantou ao extremo com a decadência dos valores humanos fundamentais, valores estes, exaltados de forma tão nítida e sutil em ‘ O Velho e o Mar ‘. Por isso essa obra maravilhosa, é um exemplar, para nossa geração e para as que estão por vir, de que a busca obstinada por um ideal, por mais simples que possa parecer, sempre é característica da mais elevada virtude.

Gabriel Suela 

Resenha - Quando a noite cai


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Livro:  Quando a noite cai

Autora: Carina Rissi

Editora: Verus

Páginas: 447

Gênero: Romance Nacional


Sinopse:  Briana Pinheiro sabe que não é a pessoa mais sortuda do mundo. Sempre que ela está por perto algo vai mal, especialmente no trabalho. Por isso é tão difícil manter um emprego. E a garota realmente precisa de grana, já que a pensão da família não anda nada bem. Mas esse não é o único motivo pelo qual Briana anda perdendo o sono. Quando a noite cai e o sono vem, ela é transportada para terras distantes: um mundo com espadas, castelos e um guerreiro irlandês que teima em lhe roubar os sonhos… e o coração. Depois de ser demitida — pela terceira vez no mês! —, Briana reúne coragem e esperanças e sai em busca de um novo trabalho. É quando Gael O’Connor cruza seu caminho. O irlandês de olhar misterioso e poucas palavras lhe oferece uma vaga em uma de suas empresas. Só tem um probleminha: seu novo chefe é exatamente igual ao guerreiro dos seus sonhos. Enquanto tenta manter a má sorte longe do escritório, Briana acaba por misturar realidade e fantasia e se apaixona pelo belo, irresistível e enigmático Gael. Em uma viagem à Irlanda, a paixão explode e, com ela, o mundo de Briana, pois a garota vai descobrir que seu conto de fadas está em risco — e que talvez nem mesmo o amor verdadeiro seja capaz de triunfar…


Acompanho Carina Rissi desde seu primeiro romance lançado: Procura-se um Marido, e já de primeira me apaixonei pelas mocinhas irreverentes e sua escrita animada que te faz se envolver com a história, sem que você perceba, já terminou o livro. Sempre que leio algum livro dela me sinto órfã no final, querendo um pouco mais, e não foi diferente em Quando a noite cai.

Nossa protagonista, Briana, é de longe a mais azarada das mocinhas de Riss. Confesso que no começo isso me irritou um pouco, fiquei com muita vergonha alheia em algumas partes, mas entendi que tudo isso tinha um motivo. Briana tem um caráter incrível, é bem ligada à família, e me identifiquei muito com ela, com toda essa coisa de se sacrificar e fazer de tudo por eles, por vezes esquecendo até de si mesma. Só que, a noite quando dorme, Briana sonha com a Irlanda de séculos atrás, mas especificamente com um guerreiro irlandês, que ela eterniza nos desenhos que faz quando acorda.


Além de todo o azar, mais especifico no quesito emprego, a família de Briana anda passando por uma situação financeira complicada, o que faz o peso de manter um emprego ser mais intenso ainda. E é indo a uma entrevista de emprego que Briana conhece o lindo e maravilhoso Gael, que para completar, é a cópia exata do guerreiro que ela encontra toda noite.

Claro que eles se conhecem de uma maneira muito inusitada, mas eu me apaixonei pelos dois instantaneamente. O relacionamento vai sendo construído com muita maturidade, o que me deixou muito feliz. Nesse livro não temos aquele clichê: se apaixonam – brigam – separam – voltam, e sim duas pessoas que sabem que querem ficar juntas para sempre.

“Você não me sai da cabeça – no tempo de uma pulsação, ele estava diante de mim outra vez, a tormenta dentro de si ganhando força – Eu tento não pensar em você, mas é impossível, porque você esta bem ali, batucando na mesa com o lápis, trançando o cabelo, sorrindo para o celular enquanto responde a alguém, sendo gentil e educada com todo mundo. Estou cansado de fingir que não te vejo,que não penso em você, que não te desejo, e de me sentir miserável por isso. Eu sei que você é capaz de entender o que eu digo. Eu sei que é, porque você é a única pessoa que realmente pode me ver por dentro.” Pag 228

Esse livro é completamente diferente de tudo o que Carina já escreveu. Apesar de suas histórias serem sempre únicas, esse é mais singular. Sem falar na escrita dela que evoluiu e amadureceu incrivelmente.

Tenho apenas dois pontos negativos: o primeiro é o fato de não ter sido bem explicado o ‘por que’ dela sonhar com o Gael. Há sim uma justificativa que tenta ser explicada, mas não me convenceu. O segundo são os sonhos mesmo, que no começo são bem cansativos de acompanhar, mas extremamente necessários para a história.

O livro tem começo – meio –fim, mas mesmo assim fiquei querendo mais, querendo saber como eles estão agora. Ele deixa uma pontinha solta para um novo casal que foi apresentado no livro, e estou torcendo pra Carina focar neles.

Enfim, tentei dar o menos de spoiler possíveis, mas o livro é muito mais que um romance, tem um pouquinho de misticismo que te envolve, e a forma como a Irlanda é retratada te deixa morrendo de vontade de ir pra lá.

Se você nunca leu nada da Carina, comece por esse, tenho certeza que não vai se decepcionar!

Juliana Debarbara

Resenha - O amor segundo Buenos Aires


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Livro: O amor segundo Buenos Aires

Autor: Fernando Scheller

Editora: Intrínseca

Páginas: 288

Gênero: Romance

Sinopse:"Buenos Aires, com suas largas avenidas, cafés em estilo europeu e bairros charmosamente decadentes, é cenário e ao mesmo tempo personagem das histórias de amor presentes neste romance arrebatador.
É por amor que Hugo deixa o Brasil rumo à capital argentina. Embora o relacionamento com Leonor não sobreviva, seu fascínio pela cidade resiste à dor da separação e à descoberta de que sofre de uma grave doença. Hugo cria laços com o arquiteto Eduardo e com a comissária de bordo Carolina, que evidenciam o poder regenerador das amizades verdadeiras. Ele se reaproxima de seu pai, Pedro, que troca a rotina de um casamento desgastado por uma vida em que é possível encontrar profundos afetos.
Cada personagem tem a oportunidade de contar a sua versão dos fatos, numa trama absolutamente democrática. Impossível não se encantar com a presença de espírito e o senso de humor de Carolina, a lealdade de Eduardo, a sensatez e a determinação de Daniel, o jeito excêntrico de Charlotte. Em comum, esses personagens adoráveis têm uma enorme capacidade de amar.”

Uma simples frase poderia resumir a resenha: esse livro é sobre o amor, em todas as suas formas.

Estamos diante da história de Hugo, que segue Leonor, sua namorada, a qual vai morar em Buenos Aires em busca de uma aproximação com o pai. Digo “segue”, pois, logo no início do livro, podemos notar que o amor de Hugo não é correspondido da mesma forma. Leonor é uma personagem um tanto egocêntrica, com uma necessidade de atenção e carinho derivada da ausência do pai. Em virtude disso, o relacionamento com Hugo funciona para ela – isso, ao meu ver – como uma espécie de adoração, que alimenta o seu ego rejeitado.

Após o abandono da relação, por parte de Hugo, a história começa a se desenrolar. Tudo isso já foi adiantado pela sinopse, que diz exatamente o necessário para instigar o leitor, sem extrapolar na revelação dos acontecimentos posteriores. Então, também não me aterei à sucessão de fatos em si, mas na capacidade que o livro tem de captar o coração de leitores amantes de todos os gêneros.

O ponto que mais me chamou a atenção foi a forma com que o autor estruturou o livro. Cada capítulo é o relato de um personagem X, contanto os seus sentimentos e as suas percepções em relação a um personagem Y. Essa estrutura transforma a leitura de uma maneira surpreendente. Isso porque, quando lemos o capítulo de X, enxergamos Y de uma forma e podemos até não simpatizar com ele. Mas, quando nos dedicamos à leitura do capítulo de Y – que pode ou não falar a respeito de X -, acabamos tendo certa compaixão pelos motivos dele para tomar determinadas atitudes. Esse tipo de construção da narrativa me fez refletir, por inúmeras vezes, em como podemos ser imparciais por não vermos todos os lados de um mesmo acontecimento. Friso que são todos os lados, porque não estamos diante de uma um relacionamento bilateral, mas plurilateral. Vejam:


Pelo nome atribuído ao último capítulo já podemos perceber que a cidade de Buenos Aires é, também, personagem – importantíssima, por sinal – da história. Não sei dizer ao certo se foi isso que mais me encantou no livro.

Buenos Aires é viva. Sim, muito viva! Ela é testemunha silenciosa dos acontecimentos e a áurea que essa característica causa na leitura transborda o coração.

Tive a sorte de estar em Buenos Aires por duas vezes até hoje. Foram duas visitas totalmente diferentes, com propósitos distintos: a primeira, com uma amiga, em uma espécie de aventura pela vida argentina; a segunda, com o meu marido, em uma viagem linda como presente de aniversário que ele me deu. Nessas duas oportunidades, fui acolhida por Buenos Aires de formas bastante diferentes. Acolhida pela cidade, não por seus habitantes – não é disso que se trata. É o coração da própria cidade que te acolhe, com os cafés, as milongas, a agitação da Avenida 9 de Julio, a paz que encontrei em Palermo, as cores de La Boca, etc.

"De qualquer forma, ao contrário de Leonor, creio ter uma espécie de cumplicidade com os turistas. Ou minha conexão, na verdade, é com a cidade. Andando na direção contrária à deles, o que parece ser sempre o caso tenho vontade de pará-los e perguntar:- Ela não é linda?
Linda não é bem a palavra certa. Se Paris é uma mulher alta e magra, vestida nas melhores roupas, porém intragável e inatingível, Buenos Aires é uma italiana, já meio matrona e com alguns fios de cabelo grisalhos, um tanto parruda, maltratada pelo tempo e por amantes, porém ainda capaz de, sob a luz certa, seduzir um rapazinho desavisado. Ou quem sabe Buenos Aires seja Mrs. Robinson. É isso, Buenos Aires é Anne Bancroft, por volta de 1967. Acho que desvendei o mistério."
– pág. 18

 O livro é, ainda, ambientado em diversos pontos da cidade, com a inclusão de mapas ao início de cada capítulo. É como se o autor te convidasse a explorar cada ponto sensível daquele local indicado geograficamente. É impossível não se sentir presente em todas as cenas que são descritas. A vontade que dá é de viajar para Buenos Aires, com ele embaixo do braço, para estar em cada um dos lugares em que a história de Hugo e seu ciclo se passa.

Por fim, não poderia terminar a resenha de forma melhor, a não ser com o convite de boas-vindas existente logo em suas primeiras páginas:


Um beijo grande,

Maria Clara