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Resenha - O velho e o mar


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Livro: O velho e o mar


Autor: Ernest Hemingway


Editora: Betrand Brasil


Páginas: 128

Gênero: Romance

Sinopse: Depois de anos na profissão, havia 84 dias que o velho pescador Santiago não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas ele possui coragem, acredita em si mesmo, e parte sozinho para alto-mar, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.Esta é a história de um homem que convive com a solidão, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e a inabalável confiança na vida. Com um enredo tenso que prende o leitor na ponta da linha, Hemingway escreveu uma das mais belas obras da literatura contemporânea Uma história dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete.

O Velho e o Mar é um romance de Hernest Hemingway, escrito em Cuba em 1951 e publicado em 1952. Hemingway foi um escritor norte-americano nascido em 21 de julho de 1899. Viveu grande parte da sua vida na Europa mas na década de 1930 se mudou para Cuba, onde costumava visitar frequentemente para pescar. 


O livro conta a história de um velho pescador que luta com um gigante Marlim em alto mar por entre a Corrente do Golfo. A historia tem como personagem principal um velho pescador cubano chamado Santiago. Apesar de sua grande experiência em pescas, Santiago encontra-se em uma grande maré de azar, ficando quase três meses sem conseguir um peixe. Santiago tem um jovem amigo, chamado Manolin, que incentiva o velho a persistir e continuar pescando. Na manhã do 85° dia, o velho consegue pescar um peixe, de tamanho descomunal, jamais visto até mesmo por Santiago, que dizia ter visto muitos peixes grandes em sua vida.

O peixe oferece muita resistência, e da bastante trabalho para o velho, arrastando a canoa de Santiago cada vez mais e mais para o alto mar. Santiago sofre com o sol, dificuldades para se alimentar. Depois de alguns dias, e uma luta extremamente épica, Santiago consegue finalmente matar o peixe e amarrá-lo à sua canoa. Porém, enquanto retornava a costa, sofre constantes ataques de tubarões.

“ – Mas o homem não foi feito para a derrota – disse em voz alta. – Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado.” - pág. 89

 Vale ressaltar a maestria de Hemmingway em sua escrita que fez uma 'simples' disputa entre um velho e um peixe se tornar uma batalha super épica de deixar qualquer leitor sem fôlego. A batalha se estende por vários capítulos e é extremamente detalhada.Você consegue realmente se sentir na pele de Santiago, as descrições usadas pelo autor são extremamente realistas, cada passo que o velho da, cada sofrimento ou ferida que ele tem, dói em você. Nesse momento de luta e dificuldades, Santiago, se queixa sempre de seus valores, e expõe muito sua opinião sobre determinados aspectos da vida de um modo geral. O velho se indaga se o que está fazendo é realmente certo, se aquilo tudo, todo aquele sofrimento valeria a pena e várias outras reflexões sobre a vida que nos levam a parar e pensar melhor, o que nós somos, e como nós agimos em relação as coisas que acontecem em nossa vida.

Depois de alguns dias, e uma batalha de tirar o fôlego, Santiago consegue finalmente matar o peixe e amarrá-lo à sua canoa. Porém, enquanto retornava a costa, achando que estava tudo resolvido e que voltaria para sua casa com um peixe enorme e intacto, sofre constantes ataques de tubarões. Que se tornam o novo e último desafio do Velho, que já estava quase que completamente esgotado. Quando finalmente consegue chegar à praia, o peixe já estava sem carne, só restava a sua espinha, e Santiago estava completamente sem forças. Os outros pescadores, vendo tamanho peixe, o maior que alguém já havia pescado, respeitam e ajudam-no, especialmente o jovem Manolin, que gostava muito do velho.

 Apesar de ter sido alvo de apreciações muito divergentes por parte da crítica, é uma obra que permanece uma referência entre os livros de Hemingway, tendo reafirmado a importância do autor em tempo de o qualificar para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954A obra de Hemingway se caracteriza, para mim, como a busca típica dos homens de sua geração, de uma saciedade para uma vida nunca alcançada mas sempre desejada como um sopro vital. O Velho e o Mar se enquadra perfeitamente nessa persecução obstinada por um sentido para a vida. Não foram poucos os que quiseram atribuir discursos subliminares ou intenções políticas camufladas a ‘ O Velho e o Mar ’, mas Hemingway sempre foi enfático em afirmar que apenas se tratava da história de um velho pescador.

“Entretanto, o velho pescador pensava sempre no mar no feminino e como se fosse uma coisa que concedesse ou negasse grandes favores; mas se o mar praticasse selvagerias ou crueldades era só porque não podia evitá-lo. ‘A lua afeta o mar tal como afeta as mulheres’.” - pág. 25

A obstinação existencial, característica de ‘ O Velho e o Mar ’ o torna a principal obra de uma geração que sonhou com uma humanidade mais fraterna, mas que se desencantou ao extremo com a decadência dos valores humanos fundamentais, valores estes, exaltados de forma tão nítida e sutil em ‘ O Velho e o Mar ‘. Por isso essa obra maravilhosa, é um exemplar, para nossa geração e para as que estão por vir, de que a busca obstinada por um ideal, por mais simples que possa parecer, sempre é característica da mais elevada virtude.

Gabriel Suela 

Resenha - Quando a noite cai


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Livro:  Quando a noite cai

Autora: Carina Rissi

Editora: Verus

Páginas: 447

Gênero: Romance Nacional


Sinopse:  Briana Pinheiro sabe que não é a pessoa mais sortuda do mundo. Sempre que ela está por perto algo vai mal, especialmente no trabalho. Por isso é tão difícil manter um emprego. E a garota realmente precisa de grana, já que a pensão da família não anda nada bem. Mas esse não é o único motivo pelo qual Briana anda perdendo o sono. Quando a noite cai e o sono vem, ela é transportada para terras distantes: um mundo com espadas, castelos e um guerreiro irlandês que teima em lhe roubar os sonhos… e o coração. Depois de ser demitida — pela terceira vez no mês! —, Briana reúne coragem e esperanças e sai em busca de um novo trabalho. É quando Gael O’Connor cruza seu caminho. O irlandês de olhar misterioso e poucas palavras lhe oferece uma vaga em uma de suas empresas. Só tem um probleminha: seu novo chefe é exatamente igual ao guerreiro dos seus sonhos. Enquanto tenta manter a má sorte longe do escritório, Briana acaba por misturar realidade e fantasia e se apaixona pelo belo, irresistível e enigmático Gael. Em uma viagem à Irlanda, a paixão explode e, com ela, o mundo de Briana, pois a garota vai descobrir que seu conto de fadas está em risco — e que talvez nem mesmo o amor verdadeiro seja capaz de triunfar…


Acompanho Carina Rissi desde seu primeiro romance lançado: Procura-se um Marido, e já de primeira me apaixonei pelas mocinhas irreverentes e sua escrita animada que te faz se envolver com a história, sem que você perceba, já terminou o livro. Sempre que leio algum livro dela me sinto órfã no final, querendo um pouco mais, e não foi diferente em Quando a noite cai.

Nossa protagonista, Briana, é de longe a mais azarada das mocinhas de Riss. Confesso que no começo isso me irritou um pouco, fiquei com muita vergonha alheia em algumas partes, mas entendi que tudo isso tinha um motivo. Briana tem um caráter incrível, é bem ligada à família, e me identifiquei muito com ela, com toda essa coisa de se sacrificar e fazer de tudo por eles, por vezes esquecendo até de si mesma. Só que, a noite quando dorme, Briana sonha com a Irlanda de séculos atrás, mas especificamente com um guerreiro irlandês, que ela eterniza nos desenhos que faz quando acorda.


Além de todo o azar, mais especifico no quesito emprego, a família de Briana anda passando por uma situação financeira complicada, o que faz o peso de manter um emprego ser mais intenso ainda. E é indo a uma entrevista de emprego que Briana conhece o lindo e maravilhoso Gael, que para completar, é a cópia exata do guerreiro que ela encontra toda noite.

Claro que eles se conhecem de uma maneira muito inusitada, mas eu me apaixonei pelos dois instantaneamente. O relacionamento vai sendo construído com muita maturidade, o que me deixou muito feliz. Nesse livro não temos aquele clichê: se apaixonam – brigam – separam – voltam, e sim duas pessoas que sabem que querem ficar juntas para sempre.

“Você não me sai da cabeça – no tempo de uma pulsação, ele estava diante de mim outra vez, a tormenta dentro de si ganhando força – Eu tento não pensar em você, mas é impossível, porque você esta bem ali, batucando na mesa com o lápis, trançando o cabelo, sorrindo para o celular enquanto responde a alguém, sendo gentil e educada com todo mundo. Estou cansado de fingir que não te vejo,que não penso em você, que não te desejo, e de me sentir miserável por isso. Eu sei que você é capaz de entender o que eu digo. Eu sei que é, porque você é a única pessoa que realmente pode me ver por dentro.” Pag 228

Esse livro é completamente diferente de tudo o que Carina já escreveu. Apesar de suas histórias serem sempre únicas, esse é mais singular. Sem falar na escrita dela que evoluiu e amadureceu incrivelmente.

Tenho apenas dois pontos negativos: o primeiro é o fato de não ter sido bem explicado o ‘por que’ dela sonhar com o Gael. Há sim uma justificativa que tenta ser explicada, mas não me convenceu. O segundo são os sonhos mesmo, que no começo são bem cansativos de acompanhar, mas extremamente necessários para a história.

O livro tem começo – meio –fim, mas mesmo assim fiquei querendo mais, querendo saber como eles estão agora. Ele deixa uma pontinha solta para um novo casal que foi apresentado no livro, e estou torcendo pra Carina focar neles.

Enfim, tentei dar o menos de spoiler possíveis, mas o livro é muito mais que um romance, tem um pouquinho de misticismo que te envolve, e a forma como a Irlanda é retratada te deixa morrendo de vontade de ir pra lá.

Se você nunca leu nada da Carina, comece por esse, tenho certeza que não vai se decepcionar!

Juliana Debarbara

Resenha - Espada de Vidro (A Rainha Vermelha, Vol. 2)


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Autora: Victoria Aveyard

Editora: Seguinte

Páginas: 496

Gênero: Fantasia / Distopia

Sinopse: "O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou numa arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar. Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de monstro que ela está tentando deter."


                                                                        Por Paulo Vinicius F. dos Santos.
                                                     Publicado originalmente em: Ficções Humanas


No segundo volume da série da Rainha Vermelha, Mare Barrow precisa correr atrás dos sanguenovos para reforçar os seus quadros e realizar sua vingança contra Maven. Mas, isso pode ser um caminho muito mais tortuoso do que parece

Confiar verdadeiramente em alguém pode ser um ato difícil. Sempre existem problemas que fazem com que as pontes da confiança caiam. E então fica difícil recuperá-la. Mas, não é saudável também desconfiar de tudo e todos. Isso acaba deixando um indivíduo muito solitário. Será com esse conjunto de sentimentos que a protagonista da série precisará lidar neste segundo volume ao mesmo tempo em que precisa amadurecer e se tornar a líder de um movimento.

Esse é um livro com uma atmosfera bem mais sombria do que o primeiro. Achei ele até mais pesado em alguns momentos. Enquanto que no primeiro havia um fio de esperança no fim do caminho, aqui ele é inexistente. A cada momento, Mare é assolada pela desesperança. A presença de Maven se torna uma maldição para ela. Algumas cenas são pesadas como a do bebê no vilarejo ou a fuga da prisão de Corron. A autora não poupa ninguém e quando chegarmos ao final do segundo volume vamos encontrar uma personagem muito diferente da menina de Palafitas. Chega a ser cruel a trajetória que ela realiza.

Mais uma vez a narração é em primeira pessoa, na voz de Mare. Digo que isso prejudicou um pouco este segundo volume. Isso porque a autora acaba repetindo uma série de motes e sentimentos que a personagem viveu no primeiro volume. O mantra de Todos traem todos se torna chato após a vigésima vez que a personagem repete isso. Gostei da evolução que a personagem sofre no final em virtude de todos os obstáculos que ela precisa ultrapassar ao longo deste volume. Mas, em alguns momentos, é um pouco incômodo. Alguns capítulos podiam ter sido suprimidos. Curiosamente, achei que a metade final foi um pouco corrida enquanto que a primeira metade foi arrastada. Faltou equilíbrio na pena da autora. Entendo que alguns trechos eram necessários para estabelecer a construção/evolução da personagem. Mas, é o trecho final que importa mais. E eu senti que alguns momentos poderiam ter sido mais explorados.

Tivemos um bom desenvolvimento dos demais personagens. Farley, Kilorn e Cal tiveram muito espaço neste volume. Tendo as motivações estabelecidas era a hora de mexer um pouco na maneira como eles enxergam o mundo. Farley precisa lidar com o fato de que diante de Mare, ela acaba se tornando uma mera coadjuvante. A liderança da rainha vermelha vai se tornando cada vez maior, mesmo que esta não deseje esta liderança. Já Kilorn precisa deixar de lado o seu lado pescador para se transforma em um revolucionário digno de confiança. E, o pior de tudo, lidar com o sentimento ultraprotetor de Mare. Isso certamente vai levar a algum momento de conflito neste volume. Já Cal precisa superar a perda de seu pai e compreender onde ele se situa nesse momento. Onde está seu coração? Por que permanecer com a Guarda Vermelha? Qual é o seu objetivo? Esta e outras perguntas são respondidas ao longo da narrativa. Por isso eu gostei muito da maneira como Aveyard avançou o enredo ao mesmo tempo em que deu espaço aos outros personagens. A história não ficou centrada apenas em Mare. Por isso que eu gostaria que a autora tivesse deixado de lado a narrativa em primeira pessoa ou que pelo menos trabalhasse com Pontos de Vista.

Outro ponto fraco deste volume é a construção de mundo. Entendo que a autora deseje nos dar a impressão de desconhecimento já que a própria protagonista não conhece o resto do mundo. Seríamos ignorantes, sendo apresentados pouco a pouco ao mundo. Mas, neste segundo volume, acho que uma construção maior de mundo ficou devendo. Aqui era necessário. Para que pudéssemos compreender melhor o conflito entre Lakeland e Norta e onde se situam as demais nações. Fora que a autora precisa escolher como ela vai situar a tecnologia do mundo. É legal vermos os nossos personagens escapando em um caça super veloz, mas ela precisa estabelecer o que tem e o que não tem no mundo. Precisa colocar limites. Se tornou o samba do crioulo doido e a valsa do branco maluco. Caça, instrumento sônico, detectores... eu fiquei perdido. Em alguns momentos parece que esses instrumentos são criados do nada apenas para criar algum conflito na história. Ajeitar isso é bem simples: basta mencionar a existência deles em uma conversa informal. Mas, não, eles parecem jogados ao léu.

A velocidade de leitura também é alta. Não significa que o livro é excepcional, mas apenas que a autora sabe escolher bem as palavras e a trama não é difícil de ser compreendida. Os personagens já estão estabelecidos e tudo o que Aveyard precisa se preocupar é em conduzir a narrativa até o próximo momento. A partir do capítulo 20, a história ganha uma velocidade frenética. O leitor não consegue mais parar. Tudo acontece em uma sucessão tão rápida que só vamos conseguir pegar fôlego mais de 10 capítulos depois. A ação é espetacular e a fuga da prisão é fenomenal. A autora soube explorar de formas muito criativas os poderes dos personagens. Ela deixa um gancho muito bom para o próximo volume. Só acho meio enfadonho deixar a história terminar no meio de um momento-chave. Parece uma forma covarde de obrigar o leitor a comprar o próximo volume. É uma mentalidade a la The Walking Dead e seus finais de temporada. Criar o hype. Não sei se eu concordo com essa moda. Existem outras maneiras de terminar um livro.

A Espada de Vidro é uma continuação sensacional de uma série que já era muito boa. A autora desenvolve melhor os personagens de apoio e conduz a protagonista por uma verdadeira via crucis. Com uma narrativa mais sombria do que a anterior, alguns momentos são realmente pesados. Não concordei com a forma como a autora encerra este segundo volume, mas no geral a narrativa flui muito bem principalmente após a segunda metade.

Resenha - Aposta indecente


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Autora: Matilda Wright

Editora: Quinta Essência

Páginas: 240

Gênero: Romance de época

Sinopse: Paris, 1854. Um dos homens mais ricos da França, o marquês de Villeclaire tem uma vida luxuosa e despreocupada, onde não falta nada que o dinheiro e a sua posição social possam pagar. Mulheres, jogo, festas, caçadas, palácios…
Mas uma aposta faz com que os destinos de Villeclaire e Catherine Duvernois, uma jovem e misteriosa viúva, se cruzem, numa fase em que uma nuvem negra assombra os dias do belo marquês, prestes a casar, contra sua vontade, com Blanche de Belfort.



A vida de Louis de Villaclaire desmorona-se…

Quem é Catherine Duvernois? E Blanche de Belfort? Alguém está mentindo. Mas quem? Por quê? A resposta mudará para sempre o futuro destas três personagens.

Um romance arrebatador, que se desenrola entre os sofisticados salões da aristocracia parisiense e as deslumbrantes paisagens do vale do Loire, levando os leitores numa viagem inesquecível por cenários de sonho, durante o reinado do Imperador Napoleão III.


Caras leitora e leitores, uma das minhas metas para o ano de 2016 era ler mais romances, visto que eu li muito pouco do gênero no correr dos anos. E para minha surpresa, descobri que A.M.O. romances de época! Vocês podem me perguntar: Morgana você nunca tinha lido romances de época? E eu repondo: Já tinha lido sim! A muitos anos atrás,( mais ou menos 12 anos) eu descobri uma série de livros de uma autora (Que hoje tenho como Diva Master dos romances de época) chamada Judith McNaught. Eu amei os livros dela de cara! Mas com exceção das autoras  Elizabeth Thornton,  Hannah Howell, Deborah Simmons e, um pouco mais tarde, Julia Quinn (antes de ela ser oficialmente publicada do Brasil), acabei deixando o gênero de lado (porque, eu não sei até hoje) até o 2º trimestre de 2016. A partir de então, venho tentando cobrir o que foi publicado desde então e tenho amado 90% do que tenho lido. Falta muita coisa pra me colocar em dia? Sim! Vai conseguir ler tudo o que pretende do gênero? Sinceramente, não sei!

Numa das muitas compras que fiz ano passado, comprei Aposta Indecente da autora inglesa Matilda Wright. Ele acabou ficando esquecido na estante em meio a vários outros que ainda não li. Entretanto, esse mês eu queria ler um romance de época que poucas pessoas já tivessem lido. Fiz uma pesquisa no Skoob e lá me aprece justamente no topo da lista. Fiz uma breve pesquisa no Google e descobri que esse livro não fazia parte de uma série, que era único e GENTE, isso me ganhou! Não é novidade nenhuma que raramente encontramos um romance de época que não faz parte de uma série! (se você conhece mais romances de época que seja livro único, deixa como indicação nos comentários, PLEASE!) Outro fator que me chamou atenção é que o livro é ambientado na França e não na Inglaterra! Além disso, não se encontra muitas informações sobre a autora e nenhum outro livro dela (se é que ela tem mais) foi traduzido para português.

O ponto de partida desta história é uma exorbitante e extraordinária aposta estre o burguês Duvernois e o Marquês de Villeclaire, Louis. Duvernois apostou 2 milhões de francos e perdeu. Como não tinha a quantia em mãos, disse a Villeclaire que lhe pagaria em duas semanas e , se isso não acontecesse tudo o que ele possuía passaria a ser propriedade de Villeclaire, incluindo todas as suas propriedades, bens e inclusive pessoas! Porém, um dia antes do prazo expirar, Duvernois morre em um duelo, tornando Villeclaire o ganhador da aposta e do prêmio. Uma semana após o falecimento, Louis se vê as portas da casa de Duvernois a fim de apurar se ele possuía família e reclamar o que é seu. Ao adentrar a casa ele percebe o estado decadente a propriedade e descobre por intermédio do servo que existe uma Sra. Duvernois. Ele é levado a uma sala para que aguarde a viúva, uma viúva que ele imagina se tratar de uma velha e divertida senhora que precisaria de seu apoio. Mas, quando Catherine Duvernois entra na sala, Louis descobre que ela é uma jovem e linda viúva de apenas 22 anos, possuidora de penetrantes olhos verdes. A pergunta que não consegue parar de se fazer é: Como o velho Duvernois conseguiu uma esposa daquelas?

Como o prêmio de sua aposta definia que ele seria responsável não apenas pelas propriedades e bens do falecido, como também das pessoas ligadas a ele, Villeclaire percebe que sua vitória lhe trouxe mais problemas, dívidas e responsabilidades do que qualquer outra coisa. Rapidamente ele decide dispensar os poucos criados da propriedade com uma vultosa quantia, mas não sabe o que fazer com Catherine, pois a moça não quer que seu destino seja decidido por outra pessoa, mostrando-se arredia, desafiadora e pouco sociável. Desta forma, Louis decide de irá enviá-la dali a um dia para um convento, ficando enfim livre de mais uma responsabilidade. Mas a mulher o tinha impressionado demais para que Louis desse a questão por resolvida. Ele a desejava! Partindo do pressuposto de que Catherine tivesse sido uma prostituta anteriormente ao casamento (esse era o única motivo que ele conseguiu conceber para que uma jovem e linda mulher se casa-se com Duvernois), decidiu torná-la sua amante. Nem precisa dizer qual foi a reação de Catherine.

"- Parto amanhã para o Vale do Loire e vou levá-la comigo - disse Louis.
Catherine levantou a sobrancelha, admirada.

- Pensei que tinha falado num convento em Paris - retrucou.

- Não se trata de um convento. Mudei de ideia a seu respeito. É jovem e bonita, seria um desperdício escondê-la do mundo. Tenciono torná-la minha amante... por enquanto. Depois pensarei o que fazer com você.

[...] - Como se atreve!" Pág. 35.

O que Louis não sabia e que descobre durante a viagem, é que Chaterine Duvernois era, desde o nascimento, Catherine Maulévrier, filha do Marqês de Maulévrier. Catherine tinha sido o pagamento de uma aposta que o pai fizera com o velho Duvernois. O marquês tinha ficado desolado com a morte da amada esposa e omisso na criação da filha. Quando Catherine saiu da escola, viu nela a solução aos seus problemas. Ele a deu em casamento a Duvernois como pagamento da aposta que perdeu. A partir de então, Lady Catherine Maulévrier se tornou apenas Sra. Duvernois e, ao longo de 5 anos, seria tratada pior que uma serva, passaria fome e foi privada de sua liberdade na casa do marido. O único ponto menos obscuro em seu destino, era o fato do marido possuir preferência por homens, o que caracterizou a sua união  como um casamento por conveniência. Catherine viu na morte de seu mardo a tão sonhada liberdade. Todavia, como se seu tormento não tivesse sido suficiente nas mãos do marido, ela agora estava a mercê de um homem que iria transformá-la em sua amante. Desesperada, Catherine conta á Louis às circunstância de sua vida, mas o Marquês não acredita na moça e a leva para sua casa no Vale do Loire.

Já em sua casa, Louis reconhece que ficou um pouco perturbado com a história mais que fantasiosa que Catherine contou. A dúvida não o abandona. Receoso com a mera possibilidade de a história que Catherine lhe contou seja verdadeira, Louis prefere passar os primeiros dias de sua estadia no interior cuidando dos assuntos de sua propriedade. Mas independente da dúvida, Louis não para de desejar Catherine e com o passar dos dias, a situação só piora, até que em uma noite enquanto tocavam piano juntos, ele viu uma oportunidade de se aproximar da mulher, a mulher que não aceitou ser sua amante.

"Os seus rostos estavam muito próximos e bastou a Louis fazer um pequeno movimento para que os seus lábios tocassem os de Catherine. No início tocaram-se apenas. Catherine sentia-se tremendo interiormente mas era incapaz de recusar aquele beijo. Entreabriu ligeiramente a boca a pressão mais intensa de Louis. As mãos dele abandonaram o piano e deslizavam agora pelas costas da jovem, puxando-a para si e explorando-lhe a boca com a língua." Pág. 56.

Embora Catherine começasse a ver em Louis mais do que um libertino cruel, nunca iria aceitar ser amante dele. Ela não tinha reconquistado sua liberdade para perdê-la novamente e de forma tão indigna. Nem mesmo se ele a amasse e ela o amasse (verdade seja dita, os dois já nutriam esse sentimento um pelo outro, só não queriam admitir). Não cederia nunca a essa proposta. Louis, já impaciente e contrariado com a recusa de Catherine, resolve ir a Paris sanar de vez a dúvida que não o abandona: Catherine disse a verdade? Mas enquanto tenta resolver a questão, cai numa armadilha que irá obrigá-lo a casar-se com alguém por quem não sente nenhum afeto. E sua partida para Paris deixa Catherine a mercê de um terrível e desconhecido perigo. Conseguirá esse casal anular suas diferenças e viver um amor tão poderoso? Louis conseguirá se desvencilhar da armadinha em que foi preso? Catherine sobreviverá a tão grande Perigo? Só mesmo lendo pra saber!

Acho a história extremamente cativante e um tanto quanto original, mesmo não tendo gostado muito do ritmo de escrita da autora. Vale a pena ler Proposta indecente, um livro com um título que não é só sugestivo, mas que realmente nos apresenta propostas inaceitáveis, realmente propostas indecentes.
Até a próxima!

Resenha - Coroa Cruel (A Rainha Vermelha, Vol. 0.5)


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Autora: Victoria Aveyard

Editora: Seguinte

Páginas: 232

Gênero: Fantasia/Distopia


                                            Por Paulo Vinicius F. dos Santos
                    Originalmente publicado em Ficções Humanas



Em duas noveletas, Aveyard nos apresenta o que acontece antes do primeiro livro a partir do ponto de vista de duas personagens: Coriane Jacos, mãe de Cal e Diana Farley, uma comandante da Guarda Vermelha.

Coroa Cruel é uma compilação das duas noveletas lançadas pela autora antes do lançamento do volume 2 da série, Espada de Vidro. Canção da Rainha trata da vida de Coriane Jacos, uma jovem de uma decadente casa prateada que precisa tentar se destacar no jogo da corte. Quando Coriane conhece Tiberias, parece que tudo irá mudar. Mas, talvez o coração de Coriane não esteja preparado para lidar com as intrigas da corte de Archeon. Já Cicatrizes do Aço mostra a ascensão de Diana Farley, o rosto mais conhecido do grupo terrorista conhecido como a Guarda Vermelha. Vemos as motivações que levam Farley a ser tão extrema em seus atos e como ela conheceu a família Barrow, Shade e Mare.

Ambos os contos são bem interessantes. Servem para expandir o mundo criado pela autora no primeiro livro. Ele vale mais para aqueles que realmente ficaram interessados no desenvolvimento da história, não sendo tão fundamentais para o futuro da série. Tanto um como o outro complementam informações e dão extras para o leitor. Eu gostei porque a autora se soltou um pouco mais nestas duas histórias e chegou até a fazer experiências narrativas.

No primeiro conto o tema fundamental é a solidão. Tanto Coriane quanto Tiberias são pessoas solitárias. Não são capazes de conviver dentro da exigente sociedade de corte. Coriane deseja apenas montar e desmontar coisas. E ela vê sua vida sendo planejada para ela. Não é capaz de saber o que ela fará de si mesma. Tudo tem um propósito: o andar, o vestir, o pensar, o se portar. E isso é quase como se fosse uma prisão. Se em um primeiro momento a protagonista é ignorada completamente por todos, depois ela se torna o alvo dos olhares e julgamentos de todos. Já Tiberias é um ser etéreo que vaga pela corte. Ele não sabe o que quer para si e encontra em Coriane alguém parecido com ele. Tem uma frase da história que é exemplar nisso que diz que já que ambos são solitários, por que não serem solitários juntos?

Os jogos de poder entre as casas prateadas são bem apresentados aqui. O sufocante mundo de Archeon onde qualquer suspiro pode ser mal interpretado e onde todos possuem algum poder. Coriane chega na corte de Archeon sem dominar as suas habilidades como cantora. E provavelmente essa inexperiência ocasionou o fim dela. Precisar lidar com uma manipuladora como Elara foi demais para a jovem personagem. Basicamente eu gostei bastante desse conto e serviu para aprofundar mais os jogos de poder que tanto foram interessantes no primeiro livro. Os personagens sao bem apresentados e alguns são familiares para quem leu A Rainha Vermelha.

Já o segundo conto nos apresenta um pouco mais sobre a Guarda Vermelha. O movimento é bem mais organizado do que parece no primeiro livro. Lá nós imaginávamos um movimento pequeno formado por um grupo de pessoas de Norta insatisfeitos com o andar das coisas. Mas, percebemos através deste conto que o buraco é muito mais embaixo. O nível de organização da Guarda é bem maior, com hierarquias, códigos, transportes. A autora passou bem esse ar de organização complexa demonstrando fraqueza para enganar os outros. Realmente esse segundo conto se passa bem mais próximo de A Rainha Vermelha do que o primeiro conto. Alguns acontecimentos são melhor esclarecidos e vemos como a surpresa do final do primeiro livro realmente acontece. E ela acontece bem antes do que deixa transparecer no final.

A protagonista é Diana Farley, a face pública do movimento. No primeiro livro ela parecia mais uma criatura sombria que se esconde e suas motivações não são lá muito claras. Aqui começamos a entender mais quem é a personagem. E a autora joga algumas pistas de onde a Guarda Vermelha teria surgido. A protagonista dessa história agora me parece muito mais interessante em sua obscuridade. Não seria nada mal um spin-off com as aventuras dela. O tema principal desse conto é a lealdade e até onde uma pessoa pode conduzir suas ações em prol de seu objetivo. Em várias ocasiões Farley desobedece ordens superiores por discordar das mesmas. Na visão dela, os membros da Guarda não podem perder a visão de pelo que eles estão lutando. Essa pureza de objetivo é que torna Farley tão complexa e perigosa ao mesmo tempo. Ela não mede esforços para alcançar o que deseja.

Neste segundo conto, a autora emprega um estilo narrativo diferente: ela intercala relatórios de progresso das ações da Guarda com a narrativa em primeira pessoa. Eu gostei da maneira como ela fez isso, mas admito que não gostaria de ver esse estilo no livro principal. Vale apenas para este conto aqui. A narrativa é em primeira pessoa, mas achei o estilo mais veloz e dinâmico em relação à Rainha Vermelha. Não existem tantas descrições por aqui e a autora deixa transparecer mais os sentimentos da protagonista do que usar linhas em longos pormenores. Acho que ela poderia empregar esse estilo no segundo livro que o tornaria até mais interessante.

Recomendo A Coroa Cruel para aqueles que gostaram do universo de Victoria Aveyard. Aqui conhecemos um pouco mais do mundo onde se passa a história de Mare. As motivações de outros personagens se tornam mais claras. Não é um livro essencial para a compreensão do todo, mas fornece boas horas de diversão. A autora faz algumas experiências narrativas diferentes o que torna a leitura bem distinta da série principal. Achei o primeiro conto mais interessante do que o segundo, mas isso é normal em coletânea de contos. Não tem para onde correr nesse sentido.

Resenha - A Rainha Vermelha (A Rainha Vermelha,Vol. 1)


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Autora: Victoria Aveyard

Editora: Seguinte

Páginas: 424

Gênero: Fantasia/Distopia


Por Paulo Vinicius F. dos Santos
               Originalmente publicado em: Ficções Humanas




Com uma escrita ágil e dinâmica, Victoria Aveyard nos apresenta um mundo de mentiras e traições onde um enorme grupo de pessoas é explorado por uma pequena elite com poderes especiais. Mas, logo esse jogo começa a virar.

Falem o que for de livros do gênero Young Adult, uma coisa que não podemos negar é que são livros extremamente rápidos de serem lidos. Uma linguagem fácil e um mundo que o leitor se acostuma rapidamente são muito atrativos. Claro que isso não significa que o livro é excepcional por causa disso, mas ajuda a trazer novos leitores. É imegável isso. A Rainha Vermelha pega esses elementos e nos apresenta uma história interessante em um mundo que deixa muito ainda a ser explorado.

Vivendo em Palafitas, a jovem Mare Barrow é uma pequena ladra que busca sustentar sua família. Mas, seu pai e sua mãe não aprovam as atitudes da filha. Eles são vermelhos, são pessoas comuns dominadas por um grupo formado por seres com poderes especiais chamados de prateados. Para os vermelhos, os prateados são como deuses na terra. Suas habilidades únicas os mantém como os tiranos absolutos desse mundo desigual. Norta, o lugar onde Mare mora está em guerra com Lakeland, o reino vizinho. E os vermelhos são a infantaria dispensável nesta guerra que se arrasta por várias décadas. Para repor o contingente que morre a cada batalha, todos os jovens vermelhos (homens ou mulheres) a partir dos 16 anos são obrigados a entrar para o exército. Mare já perdeu três irmãos para esta terrível guerra e ela tem poucas notícias deles vindo do campo de batalha. Gisa, sua irmã mais nova, é a esperança da família, pois ela sabe costurar lindos tecidos. Quando ela crescer, certamente se tornará uma costureira para os prateados. Mas, Mare será a próxima a ser convocada pelo exército. Apenas um ano a separa da convocação. Seu amigo Killorn a ajuda em suas aventuras pela cidade, auxiliando-a a roubar para que possam sobreviver mais um dia. Killorn é o aprendiz de um marinheiro e conseguirá sair da convocação. Porém, quando uma série de eventos improváveis acontecem na vida de Mare, ela se vê obrigada a invadir um palacete onde se encontram inúmeros prateados. E essa aventura a mudará para sempre. Porque dias depois dessa invasão, Mare será contratada como uma empregada dos prateados pelo príncipe do reino. Se não bastasse isso, Mare descobrirá que tem poderes também. Mas, algo não está certo: ela é vermelha e vermelhos não tem poderes. Descoberta pela corte, ela agora precisará integrar a família real, indo contra todas suas convicções. Por que Mare tem poderes? E mais importante do que isso: será ela capaz de sobreviver ao universo de intrigas e traições que parecem fazer parte da vida dos prateados?

Esse é um livro para quem gosta de intrigas e traições. Boa parte da ação se passa na corte dos prateados de Norta. Através de Mare vamos conhecendo as intrincadas relações de poder entre a corte e as Grandes Casas. A cada passo, a protagonista precisa tomar cuidado com as suas ações já que elas podem custar a sua vida. O fato de todos terem poderes bem distintos a coloca contra a parede. A narrativa é sufocante nesse sentido. Não existe nenhum momento de alívio. A tensão paira no ar o tempo todo. É como Julian diz em um momento: "Todos traem todos". Aqueles que parecem seus aliados hoje, podem ser seus inimigos mortais no dia seguinte. A autora foi muito bem sucedida em nos dar essa situação de constante insegurança. Só por esse motivo, o livro já se destaca de tantas outras narrativas YA semelhantes.

A narrativa é rápida e dinâmica. Rapidamente o leitor se acostuma com o universo literário proposto pela autora. Em pouco mais de cinquenta páginas já sabemos os termos, os medos, as consequências, tudo. Nao são todos os autores capazes de fazer isso. E não é porque o mundo de A Rainha Vermelha seja simples. Nada disso. Ela deixa vários mistérios no ar, vários lugares a serem explorados. Eu acho muito interessante quando um autor consegue sempre deixar o leitor curioso a respeito do seu universo. E ela cria isso. Só acho que algumas informações que ela passa são muito confusas e desencontradas em certos momentos. Talvez seja para confundir o leitor, mas eu não curti muito.

A ideia de colocar vermelhos contra prateados é interessante. É um clichê que a autora pegou e deu um uso que entregou bem à história. O cerne da questão é essa: seres poderosos dominando os mais fracos. E esses seres poderosos estão a tanto tempo no poder que não sabem mais do que os inferiores são capazes. Eu só achei que a história poderia ter sido épica sem a necessidade de colocar toda uma outra raça de seres poderosos. Poderia ser a luta daqueles sem poder contra aqueles com poder. Mare poderia ser apenas a única diferente. Isso daria algo épico porque seria a revolta das massas desprivilegiadas contra uma elite formada por poucos. Não havia a necessidade de criar um elemento X. Mas, okay... ainda é preciso explicar porque os prateados surgiram porque existem muitas interrogações na série. O lugar radioativo, a existência de tecnologia. Tudo dá a entender que havia uma civilização avançada antes da existência desse mundo atual. Talvez a autora esteja ambientando a série no nosso mundo, inserindo algum elemento pós-apocalíptico. Também seria uma surpresa interessante à trama.

Tudo acontece em primeira pessoa. Ou seja, a história é contada por Mare. Poderia ser algo enfadonho, mas a personagem cresce muito ao longo da história. Com a adaptação na corte em Norta, Mare vai pegando as piores características dos nobres. E ela não vai se dando conta disso. Quando ela percebe que se tornou tão manipuladora quanto aqueles que ela odeia, já é tarde demais e suas ações explodem nela. Toda a confiança que ela havia conquistado desaparece da noite para o dia. Aqui é preciso ressaltar o bom trabalho de personagens feito pela autora. Claro que, como em qualquer livro YA ela se utiliza de alguns clichês como o triângulo amoroso (que pode ser um quadrado), as inseguranças adolescentes da personagem que podem incomodar alguns leitores (como a mim). Mas, se você deixar essas características de lado, vai perceber a riqueza de construção de personagens. Você fica sabendo as características de cada um até porque a história precisa se focar nesse tipo de construção. Se eu estou lidando com intrigas na corte, eu preciso deslindar cada um dos personagens para que estes imponham sua forte presença na tomada de ações da protagonista. Quando o clímax é atingido, o que acontece a cada um dos personagens é importante para o leitor.

A autora discute um pouco a questão da manipulação da informação. Tudo é interpretável. Depende de como os outros estão enxergando uma cena. Os prateados conseguem se manter no poder porque passam aos vermelhos uma aura de deuses. São deuses super-poderosos, mesquinhos e dominadores. Se um vermelho cruza o caminho de um deles, a morte é certa. Só que Mare vai se dando conta de que os prateados não são tão "divinos" assim. Eles podem sangrar, eles possuem suas rixas internas e eles sentem medo quando encurralados. Quando ela se dá conta desse grupo de informações, ela passa a ter outra visão da corte. E ela quer passar isso para os vermelhos para que eles sejam capazes de enfrentar os prateados. O clímax do livro também é uma manipulação de informação. Se você não tem todo o contexto da cena, pensaria o mesmo do que o resto da cidade. Ninguém imaginaria as sutilezas daquilo que realmente aconteceu.

A Rainha Vermelha é um bom início de série. Tem seus clichês típicos do gênero e do público-alvo ao qual se dirige, mas consegue aproveitá-los bem e em seu próprio benefício. A escrita é muito ágil e o leitor é capaz de terminar sua leitura em um curto espaço de tempo simplesmente porque as páginas fluem. O enredo também é profundo e repleto de interpretações possíveis.

Resenha - Codinome Lady V


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Autora: Lorraine Heath

Editora: Gutenberg

Páginas: 251

Gênero: Romance de época



Para a primeira resenha de romance de época do blog, não poderia haver livro melhor!

Codinome Lady V é o primeiro livro da autora Lorraine Heath que eu leio e já posso dizer que se tornou uma de minhas autoras de romances de época favoritas.  Dificilmente isto não aconteceria, visto que Lorraine publicou cerca de 44 livros, e alguns fizeram tanto sucesso que a romancista ganhou 6 prêmios, incluindo um RITA Awards. Isso sem falar de quase 3 dezenas de livros publicados com pseudônimos como Jade Parker, JA London e Rachel Hawthorn.

Codinome Lady V é o primeiro volume de uma série de 3, intitulada no Brasil como “Os sedutores de Havisham”. Algo que me chamou atenção logo de início, é que as histórias tem como pano de fundo as jornadas dos Lords, diferentemente da maioria das outras séries que apresentam comumente as trajetórias de vida das Ladys. Mas não se enganem, nesse primeiro volume a heroína é marcante e Muito bem resolvida.

O início do livro nos apresenta o panorama geral da série. Ela contará as histórias de Nicholson Lambert, Duque de Ashebury (para os amigos Ashe), Albert Alcott, Conde de Greyling (Grey para os íntimos), Edward Alcott (irmão gêmeo de Albert) e Visconde de Locksley (para os mais chegados, Lock filho do marquês de Marsden). Os três primeiros se conhecem por causa de uma tragédia que tem em comum: A morte dos pais em um trágico acidente ferroviário.  Os três órfãos são levados para a mansão Havisham, propriedade do Marquês de Marsden, ficando assim sob sua tutela até a maioridade. Em Havisham, eles conhecem o infante Visconde Locksley, filho do marquês, do qual tornam-se amigos inseparáveis. As vidas do Marquês de Marsden e de seu filho Locksley são marcadas pela morte da marquesa que morreu enquanto deu a luz ao filho. O marquês amava tanto a esposa que ficou transtornado após a morte dela e com o passar dos anos acabou beirando a loucura. É nesse ambiente caótico que “os meninos de Havisham” são criados. Os meninos crescem inseparáveis, viajam e vivem aventuras juntos e é logo após o retorno de uma viajem a África que nossa história se desenrola.

Após voltar de sua última viajem o duque de Ashebury não tem o costume comum de frequentar bailes como a maioria dos nobres. Ele prefere manter distância de tais eventos, por isso, em uma noite ele visita o Clube Nightingale, onde mulheres, sob o anonimato oferecido por uma máscara, relacionam-se com homens que não são seus maridos, um lugar no qual as mulheres encontram seus amantes, ou homens dispostos a ocupar esse lugar de vez em quando. E é justamente no Nightingale que Ashe conhece a protagonista da história.

Minerva Dodger está na sexta temporada em Londres e não conseguiu um único pretendente aceitável que não esteja atrás de seu imenso dote. Ela é filha de uma duquesa viúva que se casou com um antigo proprietário de uma casa de jogos, o temível Jack Dodger, e  é meia-irmã do atual Duque de Lovingdon. Minerva não é dona de uma beleza estonteante, ela herdou traços faciais do pai, que não são muito femininos, segundo ela mesma. Cansada de ser alvo de caça-dotes, ela percebe que não se casaria sem amor, portando abre mão da busca pelo matrimônio. Entretanto, ela não vê porque não experimentar as emoções da noite de núpcias e para isto, ela recorre ao clube para mulheres Nightingale. E é justamente lá que ela se vê alvo das atenções de um dos solteiros mais cobiçados da Inglaterra, o Duque de Ashebury. E é sob o codinome Lady V que ela segue o duque a caminho de um dos quartos. Mas o que Ashe tem em mente para esta noite não se restringe apenas em ter relações com Lady V (codinome alias, tem um significado bastante inusitado). Ele é apaixonado por fotografia, e, para se livrar de pesadelos, monta uma coleção de fotos bem específicas, e ,na atual noite, ele quer uma foto das pernas de Lady V.
" - O que você vai fazer com as fotografias?
- [...] Eu aprecio a beleza.
-Beleza? Nas minhas pernas?
-Deixe-me mostrar para você." pág. 44

Minerva não consegue conceber que está sendo admirada e desejada por Ashe, visto que o único atrativo que os homens encontraram nela foi o dote astronômico. Algumas circunstâncias impedem o casal de dormirem juntos nesta noite, mas o fascínio de Ashe por Lady V é tamanho que ele decide seguir a dama e descobre que, ao descer da carruagem que ele mesmo emprestou para que ela fosse levada para casa, ela desembarcou e entrou do clube de jogos Twin Dragons , clube esse que aceita além dos Lords a afiliação de Ladys. O comportamento da jovem dama só faz crescer a aura de mistério a identidade de Lady V e o interesse de Ashe por ela.

"- Espero que você consiga sua fotografia. Acredito que quando voltar para o clube você conseguirá encontrar uma mulher disposta a posar.
Ele meneou lentamente a cabeça.
- Não. Você era o que eu queria esta noite. nunca aceito substitutas." pág. 50

 É num evento de boas vindas, dedicado aos Lords de Havisham ainda solteiros, na casa de  Lady Greyling (Sim minha gente, o Conde de Greyling já está casado) que Ashe começa a desconfiar de que a Srat. Dodger possa ser sua Lady V. E é pouco tempo depois disto que Ashe descobre que está em uma precária situação financeira. Encontrando-se em tal situação, ele decide se casar com Minerva, unindo o útil ao agradável: casar-se com uma mulher que deseja e que trará com o matrimônio um dote magnífico. Mas ele não imaginava que fosse tão difícil cortejar uma mulher tão independente. Como Minerva tem a vida muito bem resolvida , ela só se casará com um homem que a ame e como não é isso que ela enxerga em Ashe, mesmo depois de ele dizer a ela que descobriu que Lady V e ela são a mesma pessoa, passa-se muito tempo até que ela aceite seu pedido. O problema é que logo em seguida Minerva descobre a situação financeira de Ashe. Nosso duque então terá um longo caminho a percorrer para alcançar seu objetivo. Será que ele conseguirá decifrar os sentimentos que nutre por Minerva? E será que Minerva conseguirá perdoar Ashe? Ah queridas e queridos leitores, somente lendo o livro pra descobrir!

"[...] com Ashe ela se sentia como se estivesse no controle. Com ele, Minerva tinha uma sensação de igualdde que nunca sentiu com ninguém..." pág. 215

Vale a pena apontar que romance, drama e bom humor são dosados com maestria por Lorraine Heath em Codinome Lady V, que a edição do livro é primorosa, e que possui uma pegada de feminismo forte por conta da busca por igualdade de gênero e, por último, mas não menos importante, que personagens secundários são esses??? É impossível não querer saber mais sobre o casal Lovingdon e Grace, o que acontecerá com o libertino Sr. Edward Alcott, desvendar os mistérios do enigmático Visconde Locksley, compreender a magnitude do amor que o Marquês de Marsden sentia por sua marquesa e como isso influiu e continuará a influenciar na vida dos meninos de Havisham! Esperarei ansiosa pelos próximos livros da série.

Até a próxima!